26 de novembro de 2020
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ELEIÇÕES 2020

Renato Câmara é quem mais ganha com desistência surpreendente de Marçal

Partidos que ensaiavam entrar no páreo já acenam com simpatia para construção de frente ampla com deputado emedebista

A desistência do deputado estadual Marçal Filho de disputar a Prefeitura de Dourados não fez estragos somente nas ambições eleitorais do PSDB, mas provocou um sacolejo impressionante no tabuleiro político regional, com impacto em todo o Estado. Se não foi um arranjo orquestrado pelo próprio partido de Marçal, sabe-se lá com quais intenções, a renúncia desmonta aquela que poderia ser a maior conquista territorial dos tucanos na busca da hegemonia política absoluta em Mato Grosso do Sul. Dourados é o segundo maior colégio eleitoral do Estado, atrás somente de Campo Grande, aonde tudo conspira para uma aliança entre o PSDB e o PSD do prefeito Marquinhos Trad, que vai tentar a reeleição.

Marçal Filho lidera até agora todas – absolutamente todas – as pesquisas de intenção de voto registradas e publicadas= desde o ano passado. Atrás de si, engalfinham-se com as esperanças em números melhores duas ou três candidaturas efetivamente competitivas, sendo a principal delas as dos deputados estaduais Renato Câmara (MDB) e de José Carlos Barbosinha (DEM). A prefeita Délia Razuk (PR) não dá sinais de interesse em concorrer à reeleição e o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende (PSDB), já está fora do jogo.

Sem Marçal Filho na raia, o páreo ficou bem mais interessante para um concorrente em especial: Renato Câmara. É ele quem segura posição sólida nas pesquisas da preferência do eleitorado, atrás de Marçal mas com base de apoio popular capaz de impulsioná-lo a voos mais altos. É o que já começa a ser sinalizado agora. Com a renúncia do tucano, a alternativa emedebista atrai a atenção de uma parcela do DEM, formada por dissidentes que não endossam a tentativa de grupos que pretendem carimbar a pré-candidatura de Barbosinha a toque de caixa.

Nesse trilho, já se visualiza o início de um comboio. Além da dissidência dos democratas, o trecho começa a ser sondado por partidos que já têm pré-candidaturas desenhadas. São os casos do PP, de alan Guedes, e do PT, de Elias Ishi. Até o PR, de Carlinhos Cantor, já estaria de ouvidos abertos ao som da locomotiva emedebista.

SOMAR COM O PROJETO 

A determinação entre os correligionários de Renato Câmara é conversar com todas as forças interessadas em somar no projeto e construir com o deputado um espaço dos mais amplos para que todas as forças possam participar, dar sua contribuição e ainda compartilhas as responsabilidades de elaborar um programa comum de gestão para o município. Na segunda-feira, logo após Marçal Filho anunciar sua renúncia, um deputado governista, e que não apoia a candidatura de Barbosinha, desabafou a um dos assessores: “Se o Marçal está mesmo saindo da disputa, sem dúvida o Renato é quem tem mais capacidade de aglutinação. Com isso, estão entregando a prefeitura para o MDB”.

Já com as prefeituras de Corumbá, Três Lagoas e Ponta Porã, os tucanos teriam então a mira apontada para o voto dos douradenses, segundo principal alvo dos cinco maiores municípios. Ao publico externo, Marçal argumentou que não poderia deixar aquelas que considera suas maiores trincheiras de luta: o mandato na Assembleia Legislativa e os microfones do rádio, instrumentos que lhe deram projeção e várias e seguidas vitórias nas urnas. E coroa o argumento salientando que num momento desses – com a crise da pandemia – não poderia sair dos microfones e deixar a sociedade sem sua voz.