21 de junho de 2021
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Eleições 2018

“Renovação” e “novidades” em 2018 dependem do trio de estrelas

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Enquanto o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e os ex-governadores André Puccinelli (PMDB) e Zeca do PT) não decidirem qual instrumento vão tocar em 2018, os que sonham aproveitar o vácuo de lideranças na disputa precisam segurar a onda e dar tempo ao tempo. Queiram ou não, é isso o que indicam as pesquisas publicadas até agora e as análises desapaixonadas.

Ainda que não sejam candidatos ao governo, os três conservam uma aura eleitoral de peso decisivo para a pretensão de terceiros. No eventual vácuo que os três deixariam, dois nomes vêm avançando como expectativa de renovação, não na faixa etária, mas no cenário de mandatos: o juiz federal Odilon de Oliveira, o presidente da Cassems, Ricardo Ayache (PSB), e o senador Pedro Chaves (PSC).

No ainda hipotético vácuo que Puccinelli, Azambuja e Zeca abririam há espaço para voos mais altos de lideranças experientes e testadas, entre elas os senadores Waldemir Moka e Simone Tebet, do PMDB; o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM); e ainda o ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB).  Esse grupo, entretanto, ainda transita num patamar intermediário, provavelmente porque priorizam a busca da reeleição, à exceção de Simone, cujo mandato vai até 2022.

O governador Reinaldo Azambuja é candidato natural à reeleição. E se reserva ao direito de não fazer propaganda de suas intenções a respeito. Prudente, confidencia aos amigos e aliados que vai esperar a hora certa para tocar o sino, e isto só no ano que vem. Até lá, cuida exclusivamente da governança e avalia sistematicamente um cenário que tem fatos novos a cada momento, impedindo a definição antecipada dos projetos eleitorais.

Puccinelli acaricia duas situações que se contrapõem: afirma não ser candidato e ao mesmo tempo vem adubando o terreno, multiplicando-se nos contatos presenciais e por outros meios como se estivesse preparando a largada. Assim como Azambuja, está também de olho nos desdobramentos políticos e judiciais de seus interesses. Ambos, a propósito, demonstram assentada tranquilidade, optam por não atropelar a sequência natural dos fatos e cuidam de conservar o máximo de parcerias ao seu lado.

Existe um novo componente nesse enredo, que é o aceno por enquanto tímido de um entendimento que pode casar projetos entre os três ou dois desse trio. Zeca do PT já disse que seu partido e o PSDB são como água e óleo, não se misturam. Todavia, o petista foi um dos primeiros a solidarizar-se com Azambuja quando eclodiu a delação premiada dos irmãos Batista, da JBS, tentando atingir o governador. E o tucano fez o mesmo, retribuindo solidariedade a Zeca, também alvejado pelos delatores.

A água que passa debaixo da ponte está longe de acabar. Enquanto esse dia não chega, as novidades anunciadas se fortalecem, mas sem alarde, porque a sabedoria recomenda cautela e caldo de galinha, receitas que, pelo andar da carruagem, caíram no gosto de Odilon de Oliveira, Pedro Chaves e Ricardo Ayache. É um trio que ensaia entrar em cena, mas não sem antes saber que papel o outro trio vai incorporar.