17 de junho de 2021
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Resumo

Retrospectiva Lava Jato 2017; 'morte, áudio, delação e condenação'

'O ano começou com a morte do relator da Lava Jato no STF. Teve ainda a “delação do fim do mundo”, o escândalo da JBS, os “filhotes” da operação agindo fora de Curitiba e o grande encontro entre Lula e Moro"

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O ano foi de revelações na Operação Lava Jato. Com a divulgação das delações de executivos da Odebrecht - a chamada “delação do fim do mundo” -, a classe política se viu envolvida em escândalos e denúncias.

Na ilustração está Marcelo Odebrecht então autor da chamada 'Delaçõa do fim do mundo'. Foto: Reprodução/Web

Com base nas colaborações, o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, autorizou a abertura de cerca de 80 inquéritos para investigar 24 senadores, 39 deputados, oito ministros e três governadores. A quantidade de suspeitos causou espanto em todo o país. Mas, segundo o empresário Emílio Odebrecht, o esquema de pagamento de propinas e favorecimento era natural no velho jeito de se fazer política.

Trecho da gravação da conversa entre o dono da JBS, Joesley Batista e o presidente do Brasil, Michel Temer. Foto: Reprodução/Arquivo PF

Mas o que surpreendeu mesmo foi o vazamento de um áudio pelo executivo da JBS, Joesley Batista, onde o presidente Michel Temer supostamente dava o aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Um dia após o vazamento, Michel Temer se defendeu.

O caso estremeceu o governo e levou Temer a ser o primeiro presidente a ser denunciado por crime comum no exercício do mandato. Mas, após várias negociações, os deputados não autorizaram a abertura de inquérito no Supremo.

Mala

Ex-deputado e ex-assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, correndo com mala com R$ 500 mil. Foto: Reprodução

Na mesma época, outro escândalo estourou: o ex-deputado e ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures foi flagrado correndo com uma mala de dinheiro. Os R$ 500 mil levados por ele seriam propina do ex-executivo da J&F Ricardo Saud.

Outras malas que chamaram a atenção foram as do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Após 14 horas contando os valores, os agentes encontraram R$ 51 milhões, a maior apreensão de dinheiro vivo da história da Polícia Federal.

Malas encontradas em um suposto bunker onde o ex-ministro Geddel Vieira Lima  (PMDB) armazenaria recursos ilícitos, em Salvador, na Bahia. Foto: Reprodução/Polícia Federal 

A delação de Joesley Batista também atingiu o senador Aécio Neves. Em áudio gravado pelo empresário, o tucano supostamente aparece combinando o pagamento de R$ 2 milhões. Mais tarde, a Polícia Federal flagrou o primo de Aécio, Frederico Pacheco, recebendo parte dos valores.

Joesley Batista fala durante a delação sobre um pedido de Aécio de R$ 2 milhões. Foto: Reprodção/PF

Em nota, o tucano explicou que o dinheiro foi um pedido de empréstimo, sem contrapartidas, para pagar os custos de sua defesa em processos na Justiça. Após a divulgação, Fred e a irmã do senador, Andrea Neves, foram presos. E Aécio foi afastado do cargo.

Também este ano, o ex-presidente Lula e o juiz Sérgio Moro ficaram frente a frente pela primeira vez. Em quase cinco horas de interrogatório, Lula negou ser o dono do triplex no Guarujá.

Audiência gravada em jugamento do ex-presidente do Brasil. Luis Inácio Lula da Silva e o Juiz Federal Sérgio Moro. Foto: Reprodução/PF

Mas Sérgio Moro condenou o ex-presidente pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo Moro, Lula ocultou a propriedade, que foi recebida como propina da empreiteira OAS em troca de favores na Petrobras. O petista recorreu da decisão. E o julgamento será em janeiro.