19 de abril de 2021
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Eleição 2016

Rose, Riedel, Marisa...e o PSDB joga para dar as cartas

Já não é segredo para quem acompanha de perto a ciranda pré-eleitoral que no PSDB cresce o interesse pela afirmação de três nomes para as eleições deste ano na capital de Mato Grosso do Sul: a vice-governadora Rose Modesto; o secretário de Gestão Estratégica, Eduardo Riedel; e a conselheira Marisa Serrano, desde que se afaste do Tribunal de Contas (TCE-MS). Outros tucanos citados com frequência, como o vereador João Rocha (presidente da Câmara) e o secretário de administração, Carlos Alberto Assis, não estão descartados. Mas uma breve análise talvez explique porque aquele trio hoje pontua com as melhores possibilidades.

O confronto pela cadeira hoje ocupada por Alcides Bernal (PP) será um dos mais agitados da história de Campo Grande. A ruptura de antigas parcerias e o desgaste que atinge boa parte – se não a maioria - dos habituais protagonistas criaram um cenário no qual tudo pode acontecer, desde as esperadas novidades até os surpreendentes ventos do imprevisível que sopram nas eleições.

Com uma sociedade aguçada no seu olhar crítico e as exigências renovadas por ética, competência e responsabilidade, os partidos sabem que precisam caprichar na avaliação das suas reais possibilidades e encaixar seus candidatos e programas no perfil apontado pelos eleitores. É com esta realidade que o PSDB, uma das principais legendas no arco da concorrência, refina com cuidado e discernimento o processo para definir os nomes que o representarão na disputa.

Antes de abrir publicamente suas opções de candidaturas, o tucanato estuda nos detalhes o modelo de política e de gerenciamento que os campo-grandenses querem, sobretudo após o vendaval de desacertos que abala a administração municipal nos últimos anos. Não é difícil deduzir que, nessas condições, alguns itens são determinantes para buscar um nome ajustado à vontade popular: capacidade de planejar e executar, mobilidade e trânsito acreditado no mosaico social, dinamismo, responsabilidade política, serenidade, ficha limpa, visão empreendedora, total identificação com o ideário do PSDB e o indispensável comprometimento do líder maior da legenda, o governador Reinaldo Azambuja.

A conselheira Marisa Serrano vai completar 70 anos em 2017. Só com essa idade ela ganha a aposentadoria compulsória. Em maio próximo vai completar cinco anos no cargo e poderá pedir para se aposentar, caso queira ser disputar um mandato eletivo. Nesse caso, teria de refiliar-se ao PSDB, partido pelo qual ocupou a maioria de seus mandatos como vice-prefeita, deputada federal e senadora.

Marisa goza da amizade e da confiança do governador, mas deixou na opinião publica um questionamento por ter renunciado a cargos políticos para os quais foi eleita: em 2006 afastou-se da vice-prefeitura para candidatar-se ao Senado e em 2011, faltando três anos para concluir o mandato, renunciou à cadeira de senadora em troca de uma vaga vitalícia no Conselho do TCE-MS. Isso pode ser o contrapeso de uma balança que ainda pende para o seu lado, em função do grande acúmulo de projeções positivas na vida publica. Consta que um dos mais empenhados na ideia de fazer Marisa Serrano candidata do PSDB é o atual presidente do TCE, Waldir Neves, que já presidiu o Diretório Regional e foi deputado federal da sigla.

Eduardo Riedel tem como ponto de partida o perfil que se assemelha ao do governador: dinâmico, bem articulado, inspira credibilidade e trata a gestão com olhar estratégico. Não tem desgastes de ordem ética e como líder classista (foi presidente da Federação de Agricultura e Pecuária) destacou-se pela postura de operador sócio-econômico moderno e empreendedor. O problema para consolidar-se como candidato a prefeito é o pouco tempo disponível para ampliar sua capilaridade e potencializar a capacidade de inserção eleitoral. Faltam só sete meses para a eleição e quatro para começar a campanha. O cargo no Governo, mesmo de importância vital no organograma executivo do Estado, não oferece o campo ideal de visibilidade para um projeto eleitoral específico e de tão contundentes exigências quanto o de disputar a Prefeitura.

A ex-vereadora e vice-governadora Rose Modesto recebeu de Reinaldo Azambuja uma incumbência de governo ajustada ao seu perfil de educadora, ativista cristã, desportista e militante de movimentos sociais, culturais, comunitários e humanistas: chefiar a Secretaria de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho. Uma área tão ampla e tão complexa, mas na qual consegue transitar com desenvoltura, a abastece com uma experiência capacitadora de enorme dimensão.

O peso respeitável dos evangélicos na política – o segmento religioso já representa mais de 25% do eleitorado campo-grandense -, a atuação decisiva para ampliar o universo eleitoral de Reinaldo Azambuja na cidade e a crescente e ampliada inserção nos espaços sociais dão a Rose o gás suficiente para decolar.

O governador, evidente, não há de ter predileções e, se as tiver, não se irá manifestar publicamente. Marisa, Riedel e Rose estariam, dessa forma, num único e linear plano de consideração afetiva e política de Reinaldo Azambuja e do próprio partido. No entanto, com a declarada “guerra” contra o PMDB e o PT, e diante da imperiosa necessidade de pontuar seu avanço para o futuro com uma vitória no maior colégio eleitoral do Estado, a escolha da chapa terá de seguir essa perspectiva. E só se avança na direção quando se tem a garantia do passo fundamental para a caminhada: o voto do eleitor.