07 de maro de 2021
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SEM REAJUSTE

Sem assumir claramente, governo e aliados já temem atraso nos salários

Pontualidade no repasse dos salários sofre neste momento sua maior ameaça

Até agora, no segundo mandato e com 52 meses completos de governo, o tucano Reinaldo Azambuja (PSDB) vem conseguindo um feito extraordinário para a conjuntura recessiva que afeta os estados e vem demolindo as finanças publicas do País. Se em outros estados as receitas anêmicas travam as administrações e criam barreiras ao atendimento de demandas inadiáveis, como o salário em dia do funcionalismo, em Mato Grosso do Sul a categoria não pode reclamar desse item, que sequer consta das pautas de negociação salarial.

Entretanto, o céu de brigadeiro começa a ser visitado por nuvens ameaçadoras. Maio, o mês que ficou tradicionalmente identificado pela data-base de reajustes salariais, não vai fechar com qualquer índice permanente de evolução nos ganhos dos trabalhadores.  Só uma compensação transitória foi obtida, que é a prorrogação do abono de R$ 200,00 por mais 12 meses. Assim, em maio de 2020 o servidor sul-mato-grossense terá o seu último mês contemplado com um benefício transitório e ninguém sabe se até lá o Governo terá condição de retomar a política de reajuste ou de reposição de salários.

 Os secretários estaduais Eduardo Riedel, de Governo e Gestão Estratégia, e Roberto Hashioka, e Administração e Desburocratização, foram taxativos ao afirmar que não há neste momento qualquer chance de reajuste. Depois de destacarem o esforço que faz o governo para bancar mais 12 meses de abono, transitaram retoricamente por estradas adjacentes ao calendário de pagamentos, mantido heroicamente até aqui. Com isso, e a base governista na Assembleia Legislativa já vem sinalizando a hipótese, nasceu o receio de que a pontualidade no repasse dos salários sofre neste momento sua maior ameaça.

Para liberar Mato Grosso do Sul da longa e generalizada asfixia financeira, é preciso que se concretize o atendimento de algumas pautas de fundamental significado, como a recomposição dos critérios de amortização das dívidas (Mato Groso do Sul desembolsa todo mês mais de R$ 100 milhões) e a desoneração dos estados. Sem isso, não há como projetar a curto prazo o afrouxamento de políticas ou medidas de austeridade que quase sempre afetam primeiro a folha do funcionalismo e outros itens de custeio.