23 de junho de 2021
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Será que Dilma e Cunha já selaram paz?

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Uma imagem emblemática registrada durante a cerimônia comemorativa do Dia do Exército e da imposição da comenda da ordem do mérito militar, realizada em Brasília, pode significar a reaproximação da presidente Dilma Rousseff e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Ontem, o Palácio do Planalto oficializou a nomeação do ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para o ministério do Turismo, um nome que recebia a apoio do vice-presidente, Michel Temer, e principalmente de Cunha. O deputado foi homenageado e recebeu uma medalhe da presidente durante o ato.

Questionado após a cerimônia se a nomeação poderia ser considerada uma vitória sua, respondeu: "É um quadro excepcional, então para nós é sempre uma honra e orgulho. Não tenho que considerar vitória nem derrota. É um orgulho para qualquer governo poder ter o Henrique no seu ministério".

Mas a verdade é que a nomeação de Alves pela presidente é vista como um aceno a Eduardo Cunha, que tem atuado como oposição no Congresso, apesar de fazer parte do PMDB, maior partido aliado do governo.

O deputado tem desenterrado ou acelerado projetos que incomodam o Planalto, como a PEC da redução da maioridade penal, que estava parada há quatro anos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Cunha mudou a formação da comissão e acelerou a votação do projeto, que recebeu críticas da presidente Dilma nessa semana.

Outro ponto polêmico defendido por Cunha é o Projeto de Lei 4.330, que trata da regulamentação da terceirização. Embora Dilma não tenha se manifestado contra nem a favor à proposta, setores do PT e o ex-presidente Lula são críticos duros. O PL também tem sido alvo das maiores centrais sindicais do País, que vem organizando manifestações frequentes.