01 de dezembro de 2021
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'Mudança de foco'

Siufi detona suspeita de grupo no WhatsApp em caso Bernal:‘é cortina de fumaça para desviar foco'

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Após a entrega (ontem, 14) do relatório pericial dos celulares de vereadores investigados na Operação Coffee Break do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o coordenador e promotor Marcos Alex Vera de Oliveira confirmou que existia um grupo no aplicativo de celular WhatsApp, no qual os vereadores investigados participavam e continham mensagens ‘de interesse na investigação’, incluindo a participação no grupo do prefeito afastado Gilmar Olarte e eventualmente a primeira-dama Andréa Olarte. 

'Observamos que existia um grupo num aplicativo de celular onde identificamos que continham informações pertinentes a investigação, incluindo Gilmar Olarte e Andréa Olarte. A quantidade de dados é significativa, nós temos uma linha de investigação e algumas datas específicas a serem analisadas, que seriam também próximas a data da cassação. O programa da perícia nos dá a oportunidade de pesquisar por palavras-chave e por data, (por exemplo, a palavra ‘cafezinho’), então vamos aproveitar essa ferramenta para concluir as investigações o quanto antes. Temos quatro peritos que farão a analise por investigado, cada um analisa dois investigados, concluindo analisa mais dois até todos serem concluídos. Com o volume de informações acredito que a gente não conclua até o mês de outubro, mas acredito que até o final de novembro os documentos sejam todos analisados’, disse Marcos Alex.

'Papo no Whats'

A informação chegou até os parlamentares nesta quinta-feira (15) na Câmara Municipal, que negaram praticamente de forma unânime, participar de algum grupo que tratava assuntos relacionados à cassação de Bernal em 2014. O vereador Edson Shimabukuro (PTB) confirmou que existia um grupo de vereadores na Câmara por meio do aplicativo, mas que não se discutia nada relacionado à cassação do prefeito. “Existe um grupo da casa, não uso muito, mas posso dizer que existia entre os vereadores da Casa, mas não sei se tinha um específico que falava do Bernal”, diz o vereador.

Jamal Salem (PR) confirmou que existe um grupo, mas que não participa. “Eu acho que existe esse grupo, mas eu não gosto de WhatsApp, pode ser até que eu esteja inscrito mas eu não participei. Eu até mudei meu número para não participar, são muitas pessoas, opiniões diferentes, até o da Câmara que existe eu não participo”, confirmou Jamal. 

O vereador Eduardo Romero (PTdoB) também afirmou que existe um grupo entre os vereadores, mas para discutir assuntos relacionados a projetos. “Hoje o aplicativo WhatsApp é uma ferramenta de comunicação entre muita gente. Amigos, familiares, eu até já sai de vários grupos por que começam com uns assuntos e terminam com brincadeira, então eu prefiro sair. Não me recordo e não posso afirmar se Olarte ou quem quer que seja estava participando de um grupo paralelo, o mais importante não é o grupo e sim o teor das conversas”, diz Romero. 

‘Cortina de fumaça’
Já o vereador Paulo Siufi (PMDB) questionou as informações veiculadas que ‘circulam’ na mídia em relação ao grupo e à cassação de Alcides Bernal. “Acho estranho algumas informações serem divulgadas como ‘pílulas’ para desviar o foco do que realmente interessa. A cassação de Bernal foi legitimada, não estamos aqui de brincadeira, exercemos um papel fiscalizador, agora vejo essas informações como uma forma de fazer uma ‘cortina de fumaça’ para desviar as atenções”, apontou Siufi. 

Os trabalhos da perícia nos celulares duraram em torno de 30 dias, onde foi feita uma força-tarefa com peritos criminais no intuito de recuperar conversas apagadas, ligações e até conversas de mídias sociais. Um equipamento chamado (UFED) sigla traduzida do inglês para (Dispositivo Universal de Extração Forense), já utilizado no cenário internacional policial possibilitou a recuperação dessas mensagens que foram entregues ao Gaeco. 

A Operação Coffee Break, é um ‘desmembramento’ de outras duas operações, a Adna e a Lama Asfáltica, investiga um suposto esquema de recebimento de dinheiro para votarem contra Bernal na Câmara Municipal, gerando assim sua cassação. No dia 13 de março, ele foi cassado do cargo com o voto de 23 dos 29 parlamentares.