25 de novembro de 2020
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"ESTÁ FORA"

Sob ataque de olavistas e evangélicos, Feder nega convite ao MEC

Foi convidado pelo presidente na 5ª-feira, mas desistiu após se irritar com silêncio de Bolsonaro aos ataques de extremistas de direita contra o futuro ministro

O secretário de educação do Paraná, Renato Feder, desistiu do convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Educação (MEC). Neste domingo, Renato Feder publicou em suas redes sociais que recebeu ligação do presidente na quinta-feira, mas que declina do convite.

Na nota, Feder afirma que ficou "muito honrado com o convite, que coroa o bom trabalho feito por 90 mil profissionais da Educação do Paraná", mas que continuará conduzindo os trabalhos na secretaria estadual. O secretário desejou ainda boa sorte ao presidente e uma boa gestão no MEC.

Na manhã do sábado (4.julho), a oposição a Feder era um dos principais assuntos no Twitter. 

Diversos posts com a hashtag #FederNaoBolsonaro começaram a ser publicados no começo da madrugada. O tom principal das críticas é de que Feder é alinhado a nomes associados ao establishment, que a base ideológica do bolsonarismo tem como importante inimigo. 

O que a ala temia era que Feder não se engajasse nos embates ideológicos que eles acreditam ser fundamentais para a educação, como a chamada doutrinação ideológica da esquerda, um dos pilares fundamentais do bolsonarismo. Em suma, os apoiadores do presidente querem um novo 'Abraham Weintraub'. E chegam a dizer isso abertamente. 

Fontes próximas a Feder revelam que a postura do presidente após o vazamento do convite para o MEC contrariou o secretário do governo de Ratinho Júnior (PSD). Depois do telefonema de quinta-feira, Feder já havia trocado mensagens com Bolsonaro e combinado ficar em silêncio até a nomeação. Mas o fato de Bolsonaro não ter se posicionado quando evangélicos e olavistas começaram a empreender ataques a Feder irritou o secretário, que considerou a atitude "desrespeitosa". O GLOBO apurou que Bolsonaro já tinha avisado a alguns parlamentares que o nome de Feder "estava fora”.

Renato Feder, já defendeu a extinção do MEC e a privatização de todo o ensino público, a começar pelas universidades. A proposta, que incluía a concessão de vouchers para as famílias matricularem os filhos em escolas privadas, está no livro Carregando o Elefante – como transformar o Brasil no país mais rico do mundo, de 2007.

Em uma postagem em sua rede social Twitter, o então secretário de Educação, declinou da afirmação.  

Interlocutores do ex-secretário dizem que ficou a impressão de que Bolsonaro deixou Feder "cozinhando em banho maria" enquanto o professor "apanhava" de aliados do próprio presidente.

Fonte: O Globo