21 de junho de 2021
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Sucessão na AL se confunde com governabilidade e eleições de 2016

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O deputado estadual Júnior Mochi (PMDB) continua empenhado na expectativa de garimpar votos para não deixar dúvidas sobre sua capacidade de aglutinar apoio à sua candidatura para presidir a Assembleia Legislativa no primeiro bienio da próxima legislatura (2015/17). Mas ele sabe que apenas seu empenho não será suficiente, tendo em vista o cruzamento e o conflito de interesses que povoam o contexto dos 24 deputados estaduais que, logo após a investidura, já estarão lado a lado com o desafio de preparar 2016, ano das eleições municipais.

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Hoje, mesmo com folgada maioria política, adquirida episodicamente por causa da disputa maniqueísta do segundo turno da sucessão estadual, o governador eleito Reinaldo Azambuja (PSDB) não tem maioria partidária. Da coligação que elegeu Azambuja foram eleitos apenas cinco deputados: Ângelo Guerreiro, Rinaldo Modesto, Flávio Kayatt, Onevan de Matos, do PSDB; e Zé Teixeira, do DEM. O PSD, PPS, DEM, PMN e SD não fizeram nenhum.

Se for mantida a tendência desenhada no segundo turno das eleições, quando o palanque de Azambuja se reforçou com os partidos que estavam com o peemedebista Nelsinho Trad, então o tucano poderia acrescentar mais 10 parlamentares ao seu arco de sustentação política e administrativa: Marquinhos Trad, Junior Mochi, Renato Câmara, Eduardo Rocha, Antonieta Amorim e Maurício Picarelli, do PMDB; Mara Caseiro e Márcio Fernandes, do PTdoB; Lídio Lopes, do PEN; e José Carlos Barbosa, do PSB.

Com estes dois blocos, o governador tucano alcançaria 15 votos na AL Um número de maioria não muito confortável, pois faltaria um voto para completar 16 e ficar com dois terços da Casa para aprovar matérias que dependam dessa fração. E o conforto é menor se for levado em conta que o resultado do pleito, o fim do governo de André Puccinelli e as expectativas para 2016 devem afetar seriamente a composição dos partidos. No PMDB, por exemplo, é dada como certa a saía de Marquinhos Trad. Ele tem interesse em disputar a Prefeitura de Campo Grande, mas sabe que não terá espaço na legenda porque já está incluído no rol de desafetos do atual governador e, além disso, não teria chance de ser indicado se Puccinelli resolver candidatar-se à sucessão local.

CONTEXTO ÚNICO - Como se vê, para Reinaldo Azambuja a eleição da Mesa da AL e a sustentação da governabilidade são processos com dinâmicas específicas, mas embutidos num único contexto político e necessidades a curto e médio prazos. No caso da Mesa Diretora, o governador eleito ainda tem uma válvula de escape – e não há outra saída – , que é buscar entendimentos com as forças que não compartilharam do seu palanque: o PDT, que elegeu três deputados (Felipe Orro, Beto Pereira e George Takimoto); o PR, que fez dois, Graziella Machado e Paulo Corêa; e – improvável – o PT, com quatro eleitos (Cabo Almi, Pedro Kemp, Amarldo Cruz e João Grandão).

Mesmo com a postura lógica de fazer oposição à gestão tucana, os deputados petistas não teriam dificuldade em negociar com a base de Azambuja um espaço na direção da Casa. Já fizeram isso em outras eleições do gênero, inclusive para o atual mandato de Jerson Domingos (PMDB). O problema maior de Azambuja será conciliar espaços entre os partidos e interesses dos deputados que estão e pretendem ficar em sua base parlamentar.

Com boa votação e experiência gestora, Junior Mochi tem espaço disponível e portas sempre abertas no Palácio Guaicurus para vender seu peixe. Só precisa do sinal verde decidido e escancarado do governador eleito. Com a musculatura eleitoral adquirida nas urnas, e sabendo que não será fácil apagar os fortes rastros e as marcas sólidas do antecessor, Reinaldo Azambuja pode sentir a necessidade de assumir controle total e absoluto das decisões políticas do Estado. No caso do comando da Assembleia Legislativa, isso inclui optar entre cacifar um aliado do PMDB ou garantir-se com um liderado de sua coligação PSDB-DEM.

Edson Moraes