12 de maio de 2021
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Três Lagoas

Três Lagoas: prefeito coleciona denúncias e vereador o desmascara em acusação sobre tocaia

Renée Venâncio, um policial aposentado, diz que impopularidade pôs Guerreiro no desespero

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Com 22 denúncias contra a Prefeitura de Três Lagoas formuladas na Câmara Municipal pelo Ministério Publico Estadual, o prefeito Ângelo Guerreiro (PSDB) lacrou de vez o clima de indisposição e confronto entre o Executivo e o legislativo. Ele prestou queixa na Polícia para sustentar que foi alvo de uma tocaia preparada pelo vereador Renée Venâncio (PSD).

De pronto, o vereador, que é agente aposentado da Polícia Federal, rebateu da tribuna do Legislativo afirmando que a acusação é fruto do desespero de quem está acuado pela falgta de resultados e pela impopularidade. Ao desafiar o prefeito a provar sua acusação, Venâncio primeiro descreveu sua perplexidade com o teor da acusação: 

“Ele [Ângelo Guerreiro] disse que ao chegar em sua fazenda – e ele dizia que não tinha fazenda – soube que eu teria serrado uma árvore para impedir a passagem do seu veículo e que fiquei fumando, à espera. Não fumo, nunca fumei, odeio cigarros. E disse que depois fui embora ao perceber que ele estava demorando a chegar”, relatou.


Em seguida, Venâncio atacou Guerreiro duramente, com vários adjetivos desqualificadores. “É um canalha. Jamais sujaria minhas mãos com fezes de um tipo desses. Criou um factóide para me atingir. Mas ninguém acredita nele. O que eu ganharia com isso? Eu tenho vida definida, sou aposentado da PF, reconhecido pela sociedade. Não sujaria minhas mãos com um verme, um canalha”, atacou. Ao finalizar, cobrou de Guerreiro: “Diminua seus níveis de canalhice”.

Venâncio submeteu o caso aos colegas e solicitou providências da Mesa Diretora. Sobre o volume de denúncias contra Guerreiro, a Câmara resolveu criar 22 comissões, uma para cada acusação. Entre os crimes e irregularidades atribuídos pelo MPE ao prefeito constam suposto superfaturamento na compra de remédios, contratação de empresa para gerenciar uso de computadores adquiridos na gestão de Márcia Moura (MDB) e a dispensa de licitação para contratar a Fapec (Fundação de Pesquisas para Educação e Cultura) por R$ 2,9 milhões para assessorar na elaboração de edital para concorrência de terceirização da coleta de lixo em 2018. O edital foi cancelado pela Justiça.

No caso dos computadores, o MPE verificou que haviam sido gastos pela gestão de Guerreiro cerca de R$ 650 mil, sendo que a Prefeitura já tinha investido R$ 1 milhão na aquisição de equipamentos.