27 de outubro de 2020
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ELEIÇÃO | REJEIÇÃO

Tucanos são maioria entre prefeitos fora da campanha pela reeleição

Paranaíba, Camapuã e Porto Murtinho têm gestores com baixo índice de aprovação popular

Vários prefeitos com mandato até dezembro e legalmente habilitados para entrar na disputa pela reeleição ficaram de fora da corrida. Uns por intervenção do partido, como ocorreu em Porto Murtinho, outros porque as taxas de rejeição política ou administrativa estão muito baixas. Prefeitos de diversos partidos compõem esse grupo, com destaque para os tucanos, casos dos gestores de Paranaíba, Camapuã e Porto Murtinho, que ficaram de fora da batalha pela reeleição.

Em 2016, último ano de seu mandato em Paranaíba, o prefeito Tita Queiroz (MDB) decidiu não lançar candidaturas para sucedê-lo. Não apoiou nenhum dos rivais que disputaram o Executivo. A eleição foi apertada: Ronaldo Miziara (PSDB) teve 11.357 votos e o pedetista Maycol Queiroz 11.145 - apenas 212 a diferença. Hoje, quase quatro anos depois, a taxa de aprovação atribuída a Miziara é tão esquálida que o prefeito preferiu não dar murro em ponta de faca, desistiu de tentar novo mandato e vai para casa após 31 de dezembro.

Enquanto isso, a sucessão paranaibense reúne na arena de confronto personagens que direta ou indiretamente estavam no mosaico das eleições passadas. O ex-prefeito Tita Queiroz é o candidato do MDB, com o vereador Adriano Caçula (Republicanos) para vice.

Tita Queiroz e o vereador Adriano Caçula. Foto: Reprodução 

O PDT vem mais uma vez com Maycol Queiroz e a ex-primeira-dama Rosely Freitas, esposa do ex-prefeito José Brachiária, para vice, em chapa pura. 

Maycol Queiroz e Rosely Freitas. Foto: Reprodução 

O DEM põe todas as suas fichas no vereador mais votado do município, Ailson de Freitas, o Binga, que, se vencer, terá como vice-prefeito o mesmo que foi eleito com Miziara em 2016, Cesinha Leal.

Binga e Cesinha Leal. Foto: Reprodução 

Assim como o Democratas o Podemos também chega com chapa pura e dois ex-vereadores na sua composição. O candidato a prefeito é o advogado Fredson Freitas e a candidata a vice é Alcita Ferraz, que há 14 anos não disputava uma eleição.

Fredson Freitas e Alcita Ferraz. Foto: Reprodução 

CAMAPUÃ

Assim como em Paranaíba, os camapuenses não terão seu gestor atual pedindo votos este ano. Delano Huber deixou seu partido, o PSDB, perdido e sem solução doméstica para criar uma perspectiva de continuar comandando a política e a administração no Município. Uma gestão pífia, erros e barbeiragens grosseiras no acúmulo de sucessivas demonstrações de incapacidade - assim o choque da realidade mostrou a Huber o desastre que seria aventurar-se na busca da reeleição.

Sobrou espaço para adversários e antigos aliados. O principal nome da oposição a Huber é o ex-vereador Manoel Nery (DEM). Filho do ex-prefeito Manoel Nery, um emedebista histórico no Estado, o candidato tem como companheiro de chapa o vereador Aluísio Targino (Patriota).

O Progressista (PP) lançou o empresário Luiz Gonzaga e o vice Leandro Veterinário.

Luiz Gonzaga e o vice Leandro Veterinário. Foto: Reprodução 

Outras duas chapas estão na parada em Camapuã. A do Podemos, com Marco Aurélio e João Horácio.

Marco Aurélio e João Horácio. Foto: Reprodução 

O PSD lança a vereadora Márcia Pereira, única mulher na disputa, com Clóvis Amorim de candidato a vice-prefeito.

Essa é Márcia Pereira. Foto: Reprodução 

Para observadores locais, é imprevisível o que as urnas vão revelar em novembro. Porém, uma conclusão é certa e irrebatível: se o atual prefeito, Delano Huber, estivesse em busca da reeleição, talvez ficasse entre os menos votados desse grupo.

PORTO MURTINHO

O prefeito Derlei Delevatti (PSDB) bem que tentou fazer a sua parte. Lançou-se pré-candidato à reeleição em Porto Murtinho, porém não contava com o olhar enviesado dos próprios correligionários da cúpula, intimidados pelo nível baixíssimo de impopularidade do gestor, com sua administração reprovada de forma contundente pela população.

Antes que Delevatti pedisse um aparte a afiada navalha da direção cortou sua asa e o devolveu ao posto de prefeito com a obrigação de concluir o mandato e entregar o cargo ao sucessor. Para seu lugar, a direção e os caciques do PSDB entregaram as cartas, os coringas, a mesa e as fichas para o ex-prefeito Nelson Cintra. Embora esteja com seus direitos políticos suspensos até outubro, no m~es seguinte a pena já estará vencida e ele, segundo resolução do TSE, poderá votar e ser votado.

Nelson Cintra, candidato do PSDB. Foto: Reprodução 

Nelson Cintra seria o "Plano B" dos tucanos. O "Plano A", com a segurança da ficha limpa, estava na conta de sua esposa, Maria Lúcia Ribeiro, a atual vice-prefeita que renunciou ao cargo no final do ano passado, rompida com Delevatti. Todavia, ao seu estilo habitual, o ex-prefeito tucano atropelou o processo e instalou sua candidatura. Está acomodado nas pesquisas que lhe dão favoritismo. Para vice, o nome virá do Democratas, ou a esposa do presidente municipal Adolfo Olemo ou o vereador Luiz Flávio Abreu, presidente da Câmara Municipal.

O adversário de Cintra surgiu de uma inesperada articulação entre vários partidos que haviam lançado suas próprias pré-candidaturas e decidiram, diante da confirmação de Cintra, formar um bloco único e uma chapa baseada em pesquisa de intenção de voto. Eram pré-candidatos: Fátima Vidotte (PSD), Ana Paula Cardoso (PT), Rosângela Baptista (MDB), Fábio Netto (Republicanos), Adolfo Olmedo (DEM) e Pastor Cícero Pinheiro (Patriota). 

Com os resultado da pesquisas, o quadro de candidaturas e de alianças mudou. O DEM pulou para o barco de Nelson Cintra e a chapa anti-governista anunciou Eliane Rios, esposa de Adolfo Omedo, como a vice, sob protestos do vereador e presidente da Câmara Municipal Luiz Flávio Abreu, que reivindica ser o indicado. 

Cintra vai enfrentar dois concorrentes. Um deles, escolhido após pesquisa de intenção de voto encomendada pelos opositores do ex-prefeito, é o produtor rural e veterinário Fábio de Mattos Netto, com a professora petista Ana Paula de vice.

Fábio de Mattos Netto e aliados. Foto: Reprodução 

O outro é o pastor Pinheiro, que tem como vice o empresário Reginaldo Sucuri, indicado pelo PSC. A ex-pré-candidata, vereadora Fátima Vidotte, esposa do ex-prefeito Abel Proença, vai concorrer à reeleição.