24 de setembro de 2021
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RETOMADA CPI PANDEMIA

Volta da CPI coloca governadores, prefeitos e Bolsonaro na mira da convocação

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia tem quase 400 requerimentos em votação amanhã

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Nessa semana voltam os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que escancarou escândalos de propina e possíveis crimes cometidos pelo chefe do executivo federal, como por exemplo o de prevaricação. 

De acordo com a Agência Senado, o primeiro depoimento no retorno das atividades será do reverendo Amilton, que acontece amanhã (03.ago.2021), que seria "intermediador" entre o governo federal e algumas empresas que se apresentavam como ofertantes de vacinas. 

Amilton Gomes de Paula é presidente da ONG Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), e teria recebido, em fevereiro, autorização do próprio Ministério da Saúde para negociar 400 milhões de doses de vacinas contra a covid-19.

Prorrogada até o dia 05 de novembro, os trabalhos da CPI serão pautados pelos quase 400 requerimentos que serão votados amanhã (03.ago). Segundo a Agência Senado, os 386 requerimentos trazem pedidos de convocações, quebras de sigilos, informações e audiências públicas. 

Nessas quase quatro centenas, 256 requerimentos apresentados são para ouvir ministros, governadores, prefeitos, secretários, servidores públicos, representantes de empresas privadas, especialistas em saúde e até o presidente Jair Bolsonaro, segundo o Senado. 

Em entrevista à Julia Lindner, jornalista d'O Globo, o vice-presidente da Comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que, através da CPI, foram levantadas provas suficientes contra o presidente. 

"Para nós da CPI, não tem dúvida o crime de prevaricação no caso da Covaxin. Esse crime não há dúvidas. O que nós estamos investigando é por que o presidente prevaricou. O senhor presidente, tendo recebido a notícia de um esquema de corrupção em curso no âmbito do Ministério da Saúde, não tomou providências. E também há outros crimes. Nós estamos procurando os liames entre os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência e os demais", apontou. 

Na lista de convocação encontram-se também os nomes de ministros, como Marcelo Queiroga (Saúde), Paulo Guedes (Economia), Walter Braga Netto (Defesa), Onyx Lorenzoni (ex-secretário-geral da Presidência da República, recém-empossado ministro do Trabalho e da Previdência), Anderson Torres (Justiça), Carlos Alberto França (Relações Exteriores), Damares Alves (Direitos Humanos), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), João Roma (Cidadania) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo). 

Três governadores também estão listados, entre os requerimentos, para serem convocados, sendo os representantes do estado de São Paulo (João Doria); Rio de Janeiro (Claudio Castro) e Bahia (Rui Costa). Também os prefeitos de cidades com mais de 500 mil habitantes onde a Polícia Federal e o Ministério Público Federal tenham investigado a ocorrência de crimes relacionados à pandemia, também podem ser convocados.

Ainda segundo a Agência Senado, outros 51 requerimentos pedem a transferência de sigilos bancário, fiscal, telefônico ou telemático de testemunhas ou investigados.

Já na 4ª feira (04.ago.2021), o sócio da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, deverá ser ouvido. Ele é apontado como negociante da Covaxin, a vacina produzida pelo laboratório indiano Barath Biotech

No dia seguinte (05.ago.2021), a CPI pretende ouvir Túlio Silveira, advogado da Precisa.