17 de junho de 2021
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Azarão? Cinco motivos para o Corinthians se preocupar com o Guaraní

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Tite deixou claro antes da última rodada da fase de grupos que preferia não enfrentar um time brasileiro nas oitavas de final. Àquela altura, havia a chance de o Corinthians disputar uma vaga nas quartas de final com o Atlético-MG. A derrota por 2 a 0 para o São Paulo, entretanto, colocou o Guaraní-PAR no caminho do time alvinegro.

Mesmo jogando contra um adversário teoricamente mais fraco, o Corinthians tem alguns motivos para se preocupar. O Guaraní é o vice-líder do Campeonato Paraguaio, com 38 pontos em 17 partidas. A cinco rodadas do fim do torneio, existe praticamente um adversário na luta pelo título: o Cerro Porteño, que soma 39 pontos. o Sol América, terceiro colocado, tem 28.

Na Libertadores, o time do técnico Fernando Jubero conseguiu se classificar na segunda posição do Grupo 8, com nove pontos. O Guaraní foi derrotado apenas uma vez, na segunda rodada, quando o Racing fez 4 a 1, na Argentina. As duas vitórias foram alcançadas em Assunção: 5 a 2 no Deportivo Táchira e 2 a 0 sobre o Racing. A equipe empatou outros três confrontos: com o Sporting Cristal (2 a 2 em casa e 1 a 1 em solo peruano) e com o Táchira na Venezuela (1 a 1).

Força no ataque

Segundo o jornalista paraguaio Christian Mareco, do veículo ABC Color, os dois maiores destaques do time são os atacantes Federico Santander e Fernando Fernández. O primeiro, mais forte, preocupa os zagueiros pelo porte físico. O segundo, pelo faro de gol (em 2014, Fernández marcou 31 gols e terminou na ponta da artilharia do Paraguaio).

"Fernández é um grande goleador, tem uma média de gols muito boa. Não perdoa na frente do gol. Pode passar despercebido, mas quando tem uma oportunidade, faz o gol. O ano passado foi eleito o melhor jogador paraguaio pelos jornalistas", disse Mareco.

Marcação no meio-campo

A equipe atua com cinco jogadores na linha de trás (três zagueiros e dois alas), Na frente da zaga, dois volantes. De acordo com Mareco, o setor é o segundo melhor da equipe paraguaia. "São muito bons na marcação os volantes Marcelo Palau e Jorge Mendoza", afirmou o jornalista.

Marcelo Palau, que defendeu o Atlético-PR em 2013, foi expulso de campo no último domingo, na vitória do Guaraní por 1 a 0 sobre o Libertad. A defesa do Guaraní, repleta de jogadores experientes, é o ponto fraco da equipe. Só na Libertadores foram dez gols sofridos.

Juntos há muito tempo

De acordo com Marco, outro ponto forte é o conjunto do time e o entrosamento dentro de campo. O espanhol Fernando Jubero assumiu o comando da equipe em 2013. "O Guaraní é uma equipe que há muito tempo vem jogando. Nos últimos anos tiveram poucas trocas no grupo e a eles se juntaram jogadores de alto nível no torneio local. A força está aí, no conhecimento dos jogadores do sistema de Fernando Jubero.

Sem obrigação

O Guaraní entrará em campo sem a obrigação de vencer. Jubero deixou claro que o Corinthians é favorito á vaga nas quartas de final. Segundo ele, os paraguaios irão enfrentar um o melhor times da América do Sul.  "Para mim, Corinthians e Boca Juniors são os favoritos. Mas o futebol não é matemática. Temos de entrar com a faca nos dentes. Para eles passarem, terão de jogar tudo. Somos capazes de surpreender", disse à rádio 970 AM logo após a definição dos confrontos das oitavas.

Mareco também vê o time brasileiro como a maior força da Libertadores. "O Corinthians, pelo que vimos na primeira fase, é favorito, um dos grandes candidatos a conquistar o título, mas existe confiança no que pode fazer o Guaraní", disse.

Acostumado à Libertadores 

O Guaraní disputa a Libertadores pela 14ª vez, com mais participações que o próprio Corinthians, que soma 12. Apesar disso, o time paraguai só chegou quatro vezes à segunda fase da competição. Na última, em 1997, o time de Assunção foi eliminado pelo Grêmio nas oitavas de final -- o time gaúcho venceu nos pênaltis.

A equipe de Assunção já enfrentou outras três equipes brasileiras na Libertadores. Em 1968, o Palmeiras perdeu por 2 a 0 fora de casa e, depois, conseguiu fazer 2 a 1 no Pacaembu. O Santos, em 2004, empatou na Vila Belmiro (2 a 2) e venceu no Paraguai (2 a 1). Já o Cruzeiro derrotou o Guaraní duas vezes em 2011 (4 a 0 em casa e 2 a 0 fora).