21 de junho de 2021
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Ele tentou ser peão, mas uma briga de rua o levou para o UFC

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Alex Oliveira viveu sua juventude cercado de bois, trabalhando na roça e ajudando a família a tirar seu sustento em Três Rios, interior do Rio de Janeiro. Tamanha a familiaridade com esse mundo, o garotinho cresceu com um sonho na cabeça: seu esporte seria ficar 8 segundos em cima dos bichos, como um peão de boiadeiro. Ele até foi atrás do sonho, em Barretos (SP), mas, neste sábado, troca as luvas de montaria pelas de MMA, em sua estreia no UFC.

Apelidado de Cowboy, Alex foi colocado às pressas no card para encarar Gilbert Durinho, pupilo de Vitor Belfort que segue invicto no MMA. A surpresa foi tanta quanto a que o levou a virar lutador, no começo de sua mudança de carreira, deixando para trás a vida de peão.

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"Eu fui criado mexendo com boi. Com 11 anos já cuidava, carpia, fazia tudo... Trabalhava para ajudar minha família, minha mãe. Até hoje luto por eles, meu sonho é fazer ela sorrir", conta Alex. "Naquele tempo tinha um colega do meu pai que fazia rodeio. Eu fui me empolgando, acompanhando. E sempre montei em boi. Um dia juntei dinheiro para ir para Barretos e fiquei lá na casa de uma prima para tentar virar peão."

O passo corajoso dado por Alex incluiu muita coisa longe dos rodeios. Na cidade mais famosa do meio, ele trabalhou como servente de pedreiro e batalhou muito para conseguir ganhar dinheiro suficiente para se manter em Barretos. Não deu.

Foi na volta a Três Rios que um episódio do que ele não se orgulha muito mudou sua "modalidade".

"Era carnaval, tinha muita gente, você sabe como é... Eu estava com minha família, minha irmã, e uma hora uns caras quiseram tentar bater na gente e eu fui para o tudo ou nada. Nunca rejeitei briga", detalha Alex. Fora da confusão, um homem serviu de 'olheiro'. "Tinha um rapaz debaixo de uma árvore só olhando, e ele depois veio me falar: 'cara, você é doido, você tem valor para ser lutador'. E me chamou para ir treinar na academia."

Alex Cowboy começou a treinar muay thai, e três meses depois estreou profissionalmente. Daí para o MMA foi um caminho natural. Desde dezembro de 2011, foram 10 vitórias, um empate, uma derrota e um no contest (luta sem resultado). O lutador fluminense nocauteou oito de seus rivais, sendo sete no primeiro round.

As boas atuações chamaram a atenção do UFC. Alex tentou a sorte se inscrevendo para participar do The Ultimate Fighter, o reality show da organização. Ele não conseguiu uma vaga, mas sentiu que havia sido bem avaliado e que teria uma chance em breve. Não deu outra.

"Eles gostam do meu jeitão. No TUF eles mandaram recado que eu tinha potencial e eu acreditei nisso. Minha hora chegou", comemora ele. O problema é encarar Durinho. O compatriota tinha combate marcado contra o número 9 da categoria leve, Josh Thompson. Agora, pega um estreante e tem muito mais a perder do que a ganhar.

"Ele é conhecido, mas nada é impossível. O Gilbert é um cara bem duro, mas estou me preparando, ele sabe que vou fazer meu máximo, me preparando para dar um bom show. Ele vai querer jogar no chão, porque sou trocador, mas não quer dizer que vou perder. Fui chamado em cima da hora, mas não importa. Vou fazer um grande show, o Dana vai gostar", prometeu o lutador, durante a entrevista dada enquanto o lutador fazia uma exaustiva sessão de corte de peso.