GUERRA ELEITORAL
Sucessão em Campo Grande será embate de rolos compressores
PP leva Adriane querendo a prefeitura da Capital, mas outras forças se armam sonhando com igual objetivo em 2024
Quem imaginava que a prefeita Adriane Lopes não disputaria a própria reeleição, ou cogitava vê-la fora do mosaico eleitoral de 2024 levou um banho de água fria esta semana. A senadora Tereza Cristina (PP) e o presidente nacional do partido, Ciro Nogueira, confirmaram a filiação de Adriane, que já havia insinuado a intenção de deixar o Patriota.
"Grata e honrada pelo convite para integrar o Progressistas, presidente Ciro e senadora Tereza. Contem comigo para construirmos uma história de conquistas para Campo Grande. Espero vocês, dia 1º de junho, para juntos, assinarmos meu ato de filiação ao PP", anunciou Lopes na legenda de um vídeo publicado nesta 4ª.feira (24.mai.23), em suas redes sociais. Eis:
A decisão de Adriane mexeu seriamente com partidos e pretendentes, fazendo antever que a disputa campograndense será uma guerra eleitoral de proporções imprevisíveis. A previsão se robustece quando a análise passeia pelas principais forças políticas, partidárias e eleitorais e encontra movimentações semelhantes às que levaram o PP e a prefeita ao entendimento.
SONDANDO PASSOS
Além de Tereza Cristina e Ciro Nogueira, outros atores influentes do enredo político local já sondavam os passos da prefeita, acompanhando sua dinâmica de gestão e a crescente inserção nos movimentos sociais. O ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente do PSDB/MS, sabe disso e sabe ainda que Adriane é dona de prestígio dos mais consideráveis num segmento de grande presença eleitoral: os evangélicos, responsáveis por cerca de 35% dos votos da cidade.
Azambuja, seu sucessor Eduardo Riedel e o operador político dos tucanos, Sérgio de Paula, já iniciaram as conversas com o MDB de André Puccinelli e Simone Tebet, praticamente com um pré-acordo de parceria eleitoral para 2024 em Campo Grande e no interior, onde for possível o acordo. Mesmo assim, o PSDB avança na tentativa de seduzir outras legendas, entre as quais o PP, o PT, o PDT e o União Brasil.
É um voo que os tucanos fazem exatamente assim: para surpreender ou intimidar adversários, tentam montar um rolo compressor nas disputas municipais. Nos casos de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá e Ponta Porã, os cinco maiores colégios eleitorais, esta intenção fica mais evidente a cada dia. Não significa que hoje, a 17 meses do pleito, as cartas estejam distribuídas na mesa.
O próprio presidente regional do MDB, ex-senador Waldemir Moka, já avisou que aceita a união com o PSDB "onde for possível", mas onde não houver condição de alianças "o pau vai torar". São parecidas as convicções dos petistas. O ex-governador Zeca do PT e o deputado federal Vander Loubet, primeiras lideranças da legenda a defender e assumir no segundo turno de 2022 o apoio à candidatura de Eduardo Riedel, aceitariam, em última análise, discutir com o tucanato um alongamento do namoro experimentado no ano que passou.
IMPACTOS
Com Adriane Lopes em seus quadros, o PP livraria de inevitável pressão a senadora Tereza Cristina, tida até agora como a mais competitiva para o enfrentamento. No caso da direita, é inegável a força que ainda possuem os bolsonaristas no Estado. Pode ser que lancem um dos campeões de voto do pleito de 2022, o deputado federal Marcos Polon ou o estadual Rafael Tavares, se este não tiver seu mandato cassado.
No bolso desse colete ainda sobra gente como opção. Por exemplo: os deputados estaduais João Catan e Coronel David; e o ex-deputado e ex-candidato a governador, Capitão Contar. Instala-se com a troca partidária de Adriane uma dúvida sobre a diferença na partilha das preferências dos eleitores bolsonaristas. Não há como saber hoje quais os tamanhos do volume de eleitores da prefeita, de um lado, e do bolsonarismo, de outro.
