MS Notícias

CORRUPÇÃO

Operação desmonta 'máfia das ambulâncias' e desvio de R$ 1,5 milhão em MS

Polícia Civil e MP apuram fraudes e desvios milionários no transporte de pacientes do SUS

Agentes do Dracco durante operação nesta quarta-feira - Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), e o Ministério Público Estadual, através da 7ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas, deflagraram nesta 4ª feira (10.set.25) a 2ª fase da Operação Vaga Zero. A ofensiva apura fraudes em contratos da Secretaria Municipal de Saúde de Selvíria e o desvio de recursos públicos destinados ao transporte de pacientes do SUS.

Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em pontos estratégicos do esquema, incluindo a sede da Secretaria de Saúde, o Centro de Especialidades Médicas (CEM) e residências de servidores e particulares investigados.

A investigação mira crimes de organização criminosa, peculato-desvio e contratação direta ilegal. Segundo o MP e o Dracco, os contratos sob suspeita foram firmados desde 2022, por inexigibilidade de licitação, para prestação de serviços médicos de sobreaviso e transporte intermunicipal de pacientes em situações de urgência e emergência.

Apurações preliminares indicam superfaturamento de valores e pagamentos por serviços não realizados. Um dos principais indícios é a fixação de metas de transferências muito acima da real demanda do município. Dois contratos consecutivos, com valores próximos a R$ 1,45 milhão cada, são apontados como centrais na investigação. Ambos apresentam indícios de sobrepreço, cláusulas genéricas e falhas na execução.

Em um dos contratos, a empresa contratada sequer possuía estrutura física compatível com o serviço. No endereço declarado, os agentes encontraram apenas uma obra em construção, sem qualquer atividade empresarial em funcionamento.

A apuração também aponta para a possível utilização de empresas de fachada e vínculos ocultos entre servidores e prestadores de serviço. Estão entre os investigados ex-ocupantes de cargos de direção e fiscalização na saúde municipal, que já haviam sido afastados por decisão judicial em outra operação da Polícia Federal. Médicos com contratos com o município também são alvos.

A nova fase da operação busca aprofundar a coleta de provas e evitar danos adicionais ao erário. As investigações seguem sob sigilo. A ação contou com apoio da Delegacia Regional de Polícia (DRP) de Três Lagoas e das equipes do Setor de Investigações Gerais (SIG) da cidade.