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ELEIÇÕES 2026

Com Vander na 1ª vaga ao Senado, campo democrático mira Simone e abre espaço até para Nelsinho

Campo democrático aposta em Vander Loubet e mantém Simone Tebet como prioridade, mas avalia alternativas como Nelsinho Trad e Soraya Thronicke para a segunda vaga. Fotos 1, 2, 3 e 5: Tero Queiroz | Foto da ministra Simone: Reprodução

Com a divulgação das recentes pesquisas nacionais de intenção de voto confirmando a liderança do presidente Lula (PT) nos mais diversos cenários da sucessão presidencial, as disputas estaduais ganham, no início do ano eleitoral, uma contribuição concreta para que partidos e dirigentes redesenhem suas possibilidades. Em Mato Grosso do Sul, configura-se um embate polarizado entre o governador Eduardo Riedel (PP) e o ex-deputado federal Fábio Trad (PT).

No entanto, chama a atenção também o quadro da segunda disputa majoritária, que é a corrida às duas vagas do Senado. Os conservadores, um bloco que congrega principalmente extrema-direita e bolsonarismo, já têm o seu pré-candidato definido, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). A segunda vaga (ou segundo voto) está, teoricamente, entre dois nomes: o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) e o senador Nelsinho Trad (PSD), que quer a reeleição.

O dirigente nacional do PL, Waldemar da Costa Neto, já anunciou que a preferência é por Contar, praticamente descartando Nelsinho. E é deste imbróglio que pode surgir uma das novidades do pleito. Para isto, é essencial analisar o contexto dos adversários do campo democrático. O nome para o Senado é o do deputado federal Vander Loubet (PT). Para o segundo voto, a primeira alternativa é Simone Tebet (MDB), a ministra do Planejamento.

Pré-candidato a senador e presidente do Diretório Regional do PT, Vander Loubet endossa esta análise: “Eu e a Simone somos dois nomes alinhados ao presidente Lula”. Entretanto, o dirigente petista ressalva: se Simone tomar outro caminho — ela é cotada para concorrer ao governo ou ao Senado em São Paulo —, as portas do campo democrático continuam abertas para outras soluções. Entre elas, os senadores Nelsinho Trad e Soraya Thronicke (Podemos).

CENÁRIOS

Para Vander, é necessário respeitar as posições e as condições de cada liderança para tomar sua decisão. Ao enfatizar que o PT e os outros partidos da Federação Brasil da Esperança (PCdoB e PV) respeitam essas questões pessoais ou políticas, o deputado analisa que a ministra Simone, desde o segundo turno das eleições de 2022, tem sido uma figura muito importante para o presidente Lula. “Nós sempre temos exaltado seu papel, tanto na eleição como ministra. Mas sabemos que o projeto para o Senado aqui no Estado enfrenta muitas barreiras”, disse.

Em seguida, ele recordou declarações de Simone reiterando o compromisso com a reeleição de Lula, mas dando a entender que aqui em Mato Grosso do Sul existia a tendência de seguir Riedel, pois, na época, o PT ainda não tinha pré-candidatura na sucessão e eram boas as relações com o governo estadual. “O quadro mudou. Hoje nós temos candidato a governador, e a Simone, se quiser, pode estar nesse palanque com Fábio e Lula. Todavia, ela está muito bem em São Paulo, e as pesquisas exercem um apelo muito forte, notadamente na estratégia pela reeleição de Lula”.

SEM ESPAÇO

Sem Simone, entra em cena o “fator Nelsinho”. Vander observa que Costa Neto, presidente do PL, fez acordo com Azambuja e deixou bem claro que não há espaço para o Nelsinho no palanque bolsonarista se seu irmão, Fábio, é candidato do PT ao governo. “A bem da verdade, a pré-candidatura do Fábio era a desculpa que o PL estava esperando para escantear o Nelsinho”, supõe o deputado.

Neste cenário, Nelsinho tem dois caminhos, diz Vander: primeiro, lançar um candidato ao governo pelo PSD e ancorar sua candidatura à reeleição. “E o segundo caminho pode ser o campo democrático, onde estamos com os irmãos dele (Fábio e o vereador Marquinhos Trad, que pode ser candidato a deputado estadual)”. Vander destaca que foi muito próximo de Nelsinho quando prefeito de Campo Grande: “Trabalhamos juntos para viabilizar o PAC na Capital”.

A partir de 2018 para cá, o senador passou a abraçar algumas ideias extremistas. Contudo, Vander acredita que seu espírito ainda é o de um democrata. “Se ele tiver a disposição de reavaliar sua linha política, o PSD poderia caminhar com a gente, com o campo de um Brasil que quer a democracia plena, a soberania da Pátria”, afirma. “Precisamos construir novamente uma frente ampla no Estado e no Brasil para fazer frente às forças extremistas e antidemocráticas. E, neste sentido, não podemos ser sectários”.