EXTREMA DIREITA
Pedófilo Jeffrey Epstein e Steve Bannon trocaram e-mails pró-Bolsonaro
Conversas escancaram jogo de cena habitual da família Bolsonaro com a imprensa e o eleitorado
Novos documentos revelam a admiração do criminoso sexual pelo ex-capitão e expõem a "cozinha" da extrema-direita global.
A narrativa de "Deus, Pátria e Família" acaba de ganhar um capítulo sombrio vindo diretamente dos arquivos de Jeffrey Epstein.
O financista, morto na prisão e condenado por tráfico sexual de menores, via em Jair Bolsonaro um trunfo político "massivo".
A revelação consta em uma troca de e-mails entre Epstein e Steve Bannon, o guru da extrema-direita internacional.
As mensagens, obtidas pela BBC, datam de outubro de 2018, às vésperas da eleição que levou o clã Bolsonaro ao poder.
Para o predador sexual Epstein, Bolsonaro era o homem que "mudou o jogo" ao ignorar pressões internacionais e refugiados.
"Bruxelas não lhe diz o que fazer", celebrou Epstein, demonstrando entusiasmo com a agenda isolacionista do brasileiro.
O diálogo expõe como a imagem do ex-presidente foi moldada e discutida no submundo da política norte-americana.
BANNON E O "REINO NO INFERNO"
Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, confidencia a Epstein sua proximidade com o núcleo duro do bolsonarismo.
"Eles me querem como conselheiro. Devo fazê-lo?", pergunta Bannon, buscando a validação do criminoso sexual.
A resposta de Epstein é perturbadora e sintonizada com o caos político que se seguiria: "É o argumento 'reino no inferno' outra vez".
O e-mail sugere que a associação com Bolsonaro seria benéfica para a "marca" de Bannon, caso a vitória se confirmasse.
Epstein chega a incentivar uma viagem de Bannon ao Brasil para capitalizar sobre a popularidade do então candidato.
HIPOCRISIA E JOGO DUPLO DOS BOLSONAROS
Os e-mails também escancaram o jogo de cena habitual da família Bolsonaro com a imprensa e o eleitorado.
Na época, Eduardo Bolsonaro cortejava Bannon abertamente, oferecendo espaço para o americano atuar na campanha.
Porém, publicamente, Jair Bolsonaro classificava qualquer ligação com Bannon como "fake news".
Nos bastidores, Bannon admitiu a Epstein que precisava manter sua influência sobre Jair "nas sombras".
"Tenho de manter esta coisa do Jair nos bastidores", escreveu o estrategista, ciente da toxicidade de sua imagem.
A declaração derruba a tese de distanciamento pregada pelo ex-presidente brasileiro na época.
ALERTA SOBRE LULA
A troca de mensagens não ignora o espectro oposto e cita o atual presidente, Lula.
Epstein orienta Bannon a ter cautela ao falar de Bolsonaro com o intelectual Noam Chomsky.
O motivo seria a amizade de Chomsky com Lula, a quem o linguista visitou na prisão em Curitiba.
Para Chomsky, Lula era o "prisioneiro político mais importante do mundo", visão que incomodava o círculo de Epstein.
