FEIRA DA CIDADANIA
Boulos troca o café por tereré e avisa: "Lula vai ser tetra!"
Gesto marcou a presença do Governo Lula no território sul-mato-grossense
Em Brasília (DF), a política se faz com café quente e ar condicionado. No Parque do Lageado, sob o calor de fevereiro em Campo Grande (MS), o Ministro Guilherme Boulos cedeu aos charmes do tereré — bebida típica no Pantanal. Conhecido pelo programa "Café com Boulos", onde venera a bebida quente enquanto debate o Brasil, Boulos não pode se lembrar ela em MS.
Na 5ª feira (5.fev.26), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência trocou o protocolo do Planalto pela a bebida gelada durante a "Feira da Cidadania", que ocupou o Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU das Artes).
O gesto simbolizou muito mais do que apreço cultural: marcou a presença do Governo Lula no território sul-mato-grossense.
A bebida foi apresentada pelo vereador Landmark Rios (PT) e servida pela deputada federal Camila Jara (PT).
Ao longo do trajeto que fez pelos estandes de diversos serviços oferecidos pela Feira da Cidadania, Boulos bebeu tereré ao pé de dois pernaltas (Mauro Guimarães e Yago Garcia) vestidos de pantaneiros segurando um berrante.
Na agenda, Boulos não apenas participou das atividades, mas utilizou o espaço para celebrar o governo participativo do presidente Lula (PT) e avisou:
"Lula vai ser tetra na presidência", disse à reportagem do MS Notícias na entrada do evento.
Em entrevista, Boulos foi bastante incisivo sobre o que motivou o governo federal a circular por meio da Feira da Cidadania desde que ele entrou como ministro-chefe da Secretaria-Geral:
"O presidente Lula disse: Leve os nossos programas para o povo. Qual era a preocupação do Lula? O seguinte: nós lançamos um monte de programas. Por exemplo, o Pé-de-Meia. Tem um monte de gente que tem direito ao Pé-de-Meia, que os filhos já podiam estar recebendo o benefício todo mês, mas a pessoa não se cadastrou. Às vezes não tinha informação adequada, às vezes não teve acesso digital. O Lula criou essas políticas para atender o povo, os trabalhadores, o povo que mais precisa, e nós temos que garantir que isso chegue nessas pessoas", explicou.
Para Boulos, seu papel no governo está claro e seguirá com o projeto ambicioso de rodar todo o país até 4 de julho, defeso eleitoral.
"Diferente do governo anterior, nós vamos respeitar o defeso eleitoral. Mas a missão que ele [o presidente] me deu é clara: rode o Brasil, vá às periferias. Quando for a Campo Grande, não vá só para a praça central da cidade, vá para as periferias, converse com o povo. Nós vamos rodar as periferias dos 27 estados do Brasil para fazer com que os programas e as políticas do Lula cheguem ao povo. Governo não pode ser visto como algo distante, lá em Brasília. A ideia é trazer o governo federal para perto das pessoas, para a frente da casa delas", argumentou Boulos.
Ainda segundo o Ministro, o presidente Lula criou as políticas para atender quem mais precisa.
"Se Deus quiser, com o Lula se reelegendo presidente do Brasil, a gente possa continuar isso e transformar essa iniciativa numa política permanente do governo federal", prospectou.
VÁCUO MUNICIPAL
Durante a visita do Ministro, o Comitê de Cultura de Mato Grosso do Sul (CCMS), que ofereceu oficinas culturais e atrações artísticas no espaço, aproveito para realizar uma articulação política em prol do CEU da Artes. Anderson Lima, presidente da Flor & Espinho, foi direto ao ponto na conversa com Boulos:
"A ocupação de hoje prova que a comunidade quer e precisa deste espaço vivo. O que vemos aqui é o Governo Federal e a sociedade civil organizada suprindo uma lacuna deixada pela falta de prioridade da gestão municipal em manter este equipamento ativo de verdade", protesto.
Boulos, absorvendo a demanda, assumiu o compromisso de ser o interlocutor dessa crise.
"Nesta tarde vou me reunir com a prefeita e levar essa demanda de vocês", garantiu, transformando a queixa comunitária em pauta de reunião de alto nível executivo.
FERRAMENTA DE DISPUTA
A ação no Lageado demonstrou a nova tática da pasta: usar a cultura e a cidadania como ponta de lança para entrada nas periferias. Enquanto a burocracia local emperra, o CCMS montou um "balcão de desburocratização" operante das 9h às 16h.
O foco foi destravar a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Técnicos atenderam artistas da ponta para navegar no Mapa da Cultura, rompendo os gargalos que historicamente excluem a periferia dos editais.
A programação artística serviu de "imã" para a política. O picadeiro montado no CEU, com o Grupo Circo do Mato, a Cia Pisando Alto e o Palhaço Tcholo, garantiu que a mensagem chegasse às famílias, misturando ludicidade com a presença do Estado.
Durante a agenda, Boulos também se reuniu com digitais influencers trans de Mato Grosso do Sul. A conversa foi à portas fechadas, mas acompanhada pela reportagem com exclusividade. A reunião contou com a presença da professora e multiartista Emy Santos, a influenciadora Maria Fernanda (Mafe) e Orlando Beraldo.
LULA NO BAIRRO
Politicamente, a Feira da Cidadania funcionou como uma vitrine da "marca Lula" de gestão social, oferecendo um contraste agudo com a carência de serviços locais. O evento não foi apenas cultural, mas um mutirão de direitos que expôs a necessidade latente da região:
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Pé-de-Meia: A ansiedade dos jovens no balcão do programa educacional revelou o apelo das políticas de transferência de renda focadas no ensino médio.
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Saúde e Dignidade: Da vacinação à distribuição de Implanon (contraceptivo de longa duração) e absorventes (Dignidade Menstrual), o governo federal marcou território na saúde preventiva.
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Direitos: A Tenda Lilás (enfrentamento à violência contra a mulher) e a emissão de ID Jovem reforçaram a agenda progressista.
Até mesmo a fila do INSS serviu de termômetro político. Uma aposentada, que preferiu o anonimato, resumiu o sentimento de quem vê a máquina pública funcionar apenas quando Brasília aterrissa no bairro: "Um médico assinou e o outro não, por isso minha aposentadoria estava travada. Aqui eles me ajudaram, agora é só esperar".
Ao final do dia, a imagem que ficou é a de Boulos na periferia de Campo Grande, "tererezeiro" por um dia, mas articulador político em tempo integral, sinalizando que a disputa pelos corações e mentes — e pelos equipamentos públicos — de Mato Grosso do Sul está ao alcance na prateleira.
