ELEIÇÕES 2026
Marcos Pollon cobrou R$ 15 milhões para 'não sair candidato', revelam anotações
Flagrante veio das mãos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
As entranhas do bolsonarismo foram expostas mais uma vez, desta vez em anotações manuscritas que revelam o pragmatismo e o fisiologismo por trás do discurso moralista da extrema direita.
O protagonista do escândalo da vez é o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), um expoente do armamentismo e da ala mais radical da Câmara, que agora se vê envolvido em uma suspeita de achaque eleitoral que pode custar R$ 15 milhões aos cofres partidários.
O flagrante não veio de opositores, mas das mãos do próprio aliado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal, Flávio registrou em papel as táticas do partido para as eleições estaduais.
No trecho dedicado a Mato Grosso do Sul, ao lado do nome de Pollon — que se apresenta como pré-candidato ao governo ou ao Senado —, repousa a anotação incriminatória: “pediu 15 mi para não ser candidato”.
A revelação, trazida a público pela Folha de S.Paulo, expõe a face oculta de um parlamentar que construiu sua carreira gritando contra a "velha política" e esbravejando por pautas golpistas e armamentistas, como o bizarro projeto "Minha Primeira Arma".
Ao que tudo indica, a lealdade ao projeto do líder máximo da extrema direita tem um preço bastante salgado, cotado em oito dígitos.
DEFESA PÍFIA E HISTÓRICO CONTROVERSO
Diante do vazamento, a reação dos envolvidos seguiu o roteiro padrão: negar o óbvio e alegar perseguição.
Pollon classificou a anotação como uma “campanha de assassinato de reputação” e disse que o registro "não faz o menor sentido".
Flávio Bolsonaro, tentando apagar o incêndio que ele mesmo causou, admitiu ser o autor das anotações, mas tentou terceirizar a culpa. Segundo o senador, as anotações eram apenas "sugestões de pessoas" e que "uma pessoa que conversou comigo disse que ele pediu R$ 15 milhões, mas isso nunca aconteceu".
É curioso notar como um suposto crime de extorsão política é tratado como mera "sugestão" nos bastidores do partido de Valdemar Costa Neto — esse último, condenado no caso Mensalão.
O suposto balcão de negócios envolvendo Pollon não surpreende quando se analisa o seu histórico recente.
O deputado sul-mato-grossense já é investigado pelo Conselho de Ética da Câmara por participar de um motim que bloqueou o plenário em uma tentativa chantagista de aprovar a anistia aos golpistas do 8 de janeiro.
Além disso, sua coerência administrativa foi colocada em xeque quando destinou R$ 1 milhão em "emendas Pix" para a cidade de São Paulo, bem longe da sua base eleitoral no Mato Grosso do Sul, em uma manobra que desafia a transparência e escancara o uso político de verbas públicas.
ANOTAÇÕES DE FLÁVIO
O documento vazado vai muito além do suposto achaque de Pollon e funciona como um raio-X da desesperança e do cálculo frio da extrema direita para as próximas eleições.
As anotações de Flávio mostram um partido disposto a atropelar aliados, rifar nomes e negociar alianças com a mesma "velha política" que jura combater.
-
Minas Gerais: A frase "me puxa para baixo", escrita ao lado do nome do vice-governador Mateus Simões (Novo), escancara o desdém do PL pelos aliados quando o projeto nacional está em risco. O bolsonarismo busca desesperadamente um nome mais palatável, como Flávio Roscoe (Fiemg), tentando forçar uma aliança com o extremista Nikolas Ferreira para tentar segurar o eleitorado em um estado crucial.
-
São Paulo: O pragmatismo puro e simples dita as regras. O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), atolado em suspeitas de lavagem de dinheiro, é ligado ao símbolo "$". O PL, sentindo o cheiro de sangue, já articula para rifá-lo e emplacar André do Prado (PL), nome de confiança de Valdemar Costa Neto, na chapa de Tarcísio de Freitas.
-
Nordeste e Centro-Oeste: As anotações revelam um vale-tudo eleitoral. Em Alagoas, o flerte é com o PP de Arthur Lira. No Ceará, a estratégia bizarra cogita até integrar a chapa de Ciro Gomes. É a prova cabal de que, no PL, os princípios ideológicos são flexíveis e facilmente descartáveis quando a conveniência eleitoral fala mais alto.
O documento, descrito por interlocutores como um "brainstorm" (chuva de ideias no inglês), parece mais uma tempestade de fisiologismo.
As anotações de Flávio Bolsonaro desmascaram a narrativa de purismo ideológico da extrema direita, revelando uma engrenagem política movida a ameaças, cifras milionárias e alianças de conveniência.
Resta saber se o eleitorado, que um dia acreditou na promessa de "nova política", continuará fechando os olhos para o balcão de negócios que sempre foi o projeto bolsonarista.
