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LESGILADOR EM CG

Vereador cobra auditoria do TCU em contratos da Fiems investigados pelo MP

Parlamentar apontou suposto envolvimento da vice-presidência nos acordos de R$ 1,5 milhão. Empresa cita entrave burocrático para justificar sede em endereço residencial

Vereador Landmark durante sessão na Câmara Municipal. Foto: Pedro Roque

A investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sobre contratos milionários firmados pela Federação das Indústrias do Estado (Fiems) repercutiu na Câmara Municipal de Campo Grande nesta 5ª feira (26.fev.26).

O vereador Landmark (PT) utilizou a tribuna para exigir transparência da entidade, que atualmente é presidida por Sérgio Longen. O parlamentar defendeu uma auditoria rigorosa dos gastos, sugerindo a intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU).

Durante seu pronunciamento, Landmark alegou haver falhas nos acordos e mencionou o suposto envolvimento de Luiz Gonzaga Crosara Júnior, atual vice-presidente da Fiems e o primeiro na linha de sucessão da diretoria.

"A Fiems tem que abrir a caixa preta", declarou o vereador.

Ele também fez críticas à atuação da federação, afirmando que a instituição tem voltado suas políticas apenas para os grandes empresários, deixando trabalhadores e pequenos negócios desamparados.

ALVO DE INVESTIGAÇÃO

O inquérito civil foi instaurado no dia 9 de fevereiro pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri e tramita sob sigilo. O foco da apuração são três contratos que totalizam R$ 1.502.944,07, fechados entre julho de 2022 e outubro de 2023.

Os acordos beneficiaram a Multifer (razão social Souza Alves & Cia Ltda.) e a Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda. As duas empresas possuem atuação no comércio de ferragens e dividem o mesmo quadro societário, formado por Diogo de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa.

A Multifer concentra a maior parte dos valores. Em julho de 2022, a empresa assinou um contrato de R$ 641.978,17 (já contabilizando um aditivo) para o fornecimento de materiais elétricos. Logo depois, em dezembro, firmou um novo negócio de R$ 455.965,90 para entregar equipamentos de proteção individual (EPIs).

Já a Inovaseg entrou na lista de fornecedores em outubro de 2023. A empresa assinou um contrato de R$ 405 mil para fornecer materiais elétricos destinados ao Senai.

POLÊMICA DO ENDEREÇO

As suspeitas ganharam força após a revelação de que a sede (matriz) da Multifer está registrada em um imóvel na Vila Planalto com características estritamente residenciais. O local permanece fechado e não possui qualquer identificação comercial.

Os empresários, no entanto, negam irregularidades e justificam que o cenário é resultado de um entrave burocrático. Segundo Diogo e Evanildo, o endereço residencial de fato abrigou o escritório no passado, mas o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da matriz não tem movimentação há mais de 12 anos.

A defesa da empresa sustenta que toda a operação comercial ativa funciona exclusivamente por meio do CNPJ da filial, que fica na região central da capital.

Os sócios argumentam que não fecharam o registro antigo da Vila Planalto porque isso exigiria inativar também a filial. Essa medida drástica apagaria o histórico da empresa como fornecedora da indústria e invalidaria contratos que ainda estão em andamento.

Até o momento, a diretoria da Fiems não se manifestou oficialmente sobre o andamento das investigações do MPMS ou sobre as cobranças feitas no legislativo municipal.