OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
Banco Central de Bolsonaro e Campos Neto virou 'bunker' de Vorcaro
No centro do escândalo estão dois nomes de peso da gestão de Jair Bolsonaro: Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização indicado pelo ex-presidente, e Bellini Santana, ex-chefe de supervisão bancária nomeado por Campos Neto
A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta 5ª feira (5.mar.26), não apenas estilhaçou a imagem de "gestão técnica" do Banco Central sob o comando de Roberto Campos Neto, como também expôs as entranhas de uma aliança perigosa entre a alta finança, o monitoramento ilegal e o núcleo duro do bolsonarismo. O que se desenha não é apenas um esquema de corrupção bancária, mas a institucionalização de uma vista grossa remunerada.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o Banco Master não cresceu apenas por sua "agressividade de mercado", mas pela construção de um escudo humano dentro da autoridade monetária.
FISCALIZAÇÃO COMPRADA
No centro do escândalo estão dois nomes de peso da gestão de Jair Bolsonaro: Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização indicado pelo ex-presidente, e Bellini Santana, ex-chefe de supervisão bancária nomeado por Campos Neto. A PF sustenta que ambos operavam como "sentinelas do capital", recebendo repasses diretos de Daniel Vorcaro para paralisar qualquer tentativa de auditoria real no Master.
Enquanto o mercado se questionava como uma instituição média conseguia oferecer retornos astronômicos e expandir-se em ativos podres sem sofrer sanções, a resposta repousava nos gabinetes do BC. A omissão de Campos Neto, que manteve a estrutura de supervisão intacta mesmo diante de alertas, agora ganha contornos de cumplicidade sob investigação.
"A TURMA"
Se nos gabinetes o silêncio era comprado, nas ruas a voz de Vorcaro era garantida pela força. A investigação revelou a existência de uma quadrilha autointitulada "A Turma", comandada pelo banqueiro e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel.
Este grupo não se limitava a negócios: funcionava como uma milícia digital e operacional voltada para o extermínio de reputações. Entre as atividades da "Turma", a PF identificou:
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Espionagem de autoridades: Monitoramento de passos de magistrados e políticos;
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Invasão de sistemas: Acesso ilegal a bancos de dados sigilosos do Ministério Público e da própria Polícia Federal;
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Ataques a jornalistas: Campanhas de difamação e coação contra profissionais que investigavam os negócios de Vorcaro.
AVIÃO DA CAMPANHA E O "PATRIOTISMO" DE CONVENIÊNCIA
A conexão com a extrema-direita ganha contornos cinematográficos com a revelação de que a estrutura de Vorcaro — hoje sob suspeita de crimes gravíssimos — era a mesma que dava suporte logístico aos ícones do bolsonarismo. Aviões do grupo foram utilizados para transportar figuras como o deputado Nikolas Ferreira durante campanhas estratégicas.
A ironia é ácida: enquanto parlamentares da "nova direita" bradam contra a corrupção e defendem o "fim do sistema", seus voos eram garantidos por um esquema que subvertia o próprio Estado para proteger um império financeiro de papel. O discurso de "lei e ordem" colapsa diante da planilha de pagamentos de uma milícia corporativa que invadia sistemas da própria polícia.
TENTATIVA DE TRANSFERÊNCIA DE CULPA
Com a água batendo no pescoço, o ecossistema digital da extrema-direita já ensaia uma manobra de distração: tentar desvincular Zettel e Vorcaro de suas órbitas, jogando a responsabilidade sobre governos anteriores ou "erros individuais".
No entanto, os dados são teimosos. As indicações no Banco Central levam a assinatura do governo Bolsonaro; o silêncio na fiscalização ocorreu sob a égide de Campos Neto; e a logística de campanha de seus principais expoentes foi alimentada pelo combustível de Vorcaro. Tentar descolar essa imagem agora é ignorar o rastro de querosene deixado pelos jatinhos que uniam o capital suspeito ao púlpito populista.
