WANG FUK COURT
Bituca de cigarro causou incêndio com 168 mortos em Hong Kong
As vítimas tinham entre seis meses e 98 anos
Uma bituca de cigarro e decisões para economizar material estão no centro da tragédia que matou 168 pessoas em Hong Kong, Região Administrativa Especial (RAE) da China, localizada no sudeste do país.
O incêndio destruiu o complexo Wang Fuk Court em novembro de 2025 e agora é investigado por uma comissão independente.
Segundo audiência realizada na 5ª.feira (19.mar.26), o fogo teria começado após um operário descartar um cigarro em área irregular de descanso dentro da obra.
As chamas se espalharam rapidamente e queimaram por 43 horas, atingindo sete das oito torres do conjunto residencial.
As vítimas tinham entre seis meses e 98 anos.
FOGO COMEÇOU EM ÁREA IMPROVISADA
A investigação aponta que o incêndio teve início entre 14h33 e 14h43 do dia 26 de novembro.
O foco foi um poço de luz no Edifício Wang Cheong, usado por trabalhadores para descanso e descarte de lixo.
Câmeras registraram fumaça e a reação de operários no momento inicial. Outras causas, como curto-circuito ou vazamento de gás, foram descartadas.
AVISOS IGNORADOS
A proibição de fumar no canteiro era ignorada havia meses, mesmo após denúncias de moradores às autoridades.
Vídeos enviados aos órgãos públicos mostravam operários fumando nos andaimes, sem qualquer punição.
A propagação do fogo foi acelerada por uma escolha da empreiteira: substituir redes antichamas por versões mais baratas e inflamáveis.
A economia foi mínima — cerca de HK$ 69 mil em uma obra de HK$ 330 milhões.
DECISÃO BARATA
Funcionários relataram que houve alerta interno sobre o risco do material inferior.
A resposta da gestão foi de que a obra estava perto do fim e que o produto mais barato “seria suficiente”.
Com clima seco, materiais inflamáveis e falta de controle, o prédio virou uma armadilha.
BOMBEIRO MORREU
O incêndio também matou o bombeiro Ho Wai-ho, de 37 anos.
Ele se perdeu na fumaça ao tentar resgatar moradores nos andares superiores.
Sem conseguir se localizar, pediu socorro pelo rádio antes de desaparecer.
Foi encontrado morto após sofrer queimaduras, intoxicação por fumaça e múltiplas fraturas.
As conclusões devem embasar processos contra a empreiteira e pressionar mudanças nas regras de segurança da construção civil em Hong Kong.
