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"Proteção de espécies migratórias e tema de segurança", diz chanceler da Bolívia

"A extinção de até 90% das populações de peixes migratórios de água doce desde 1970 não é apenas um sinal ecológico", enfatizou o representante boliviano

(22.mar.2026) Fernando Aramayo, chanceler da Bolívia, discursa na COP15. Foto: Tero Queiroz.

O chanceler (ministro das Relações Exteriores) da Bolívia, Fernando Hugo Aramayo Carrasco, participou neste domingo (22.mar.26) da sessão de alto nível da COP15 da CMS — que reúne 132 países e a União Europeia — em Campo Grande (MS), e defendeu a proteção das espécies migratórias como uma agenda que vai além do meio ambiente.

Ao iniciar o discurso, o ministro cumprimentou autoridades presentes, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Paraguai, Santiago Peña, além de agradecer ao Brasil pela realização do encontro.

Durante a fala, o chanceler afirmou que a agenda ambiental deve ser tratada como prioridade estratégica.

“A proteção das espécies migratórias não é apenas uma questão ambiental, é também uma questão de segurança regional e de estabilidade futura”, declarou o ministro.

Ele destacou que a conectividade ecológica está diretamente ligada à economia e à vida das populações.

“Quando falamos de conectividade ecológica, falamos de integrar sistemas que sustentam as economias, que garantem meios de vida e recursos limpos”, pontuou.

O ministro também alertou para o impacto da degradação ambiental.

“Seu deterioramento não afeta apenas a biodiversidade, mas impacta diretamente a segurança alimentar, a segurança hídrica e a resiliência de todos”, ressaltou.

(22.mar.2026) — Fernando Aramayo, chanceler da Bolívia, participa da mesa durante discurso do presidente do Paraguai, Santiago Peña, na COP15 em Campo Grande. Foto: Tero Queiroz

Ao citar dados globais, o chanceler chamou atenção para a redução de espécies.

“A extinção de até 90% das populações de peixes migratórios de água doce desde 1970 não é apenas um sinal ecológico, é um alerta estratégico sobre a sustentabilidade dos nossos sistemas”, enfatizou.

Segundo ele, a fragmentação dos ecossistemas amplia riscos entre países.

“A fragmentação ecológica se traduz na vulnerabilidade que todos compartilhamos”, observou.

O representante boliviano também destacou a importância das áreas úmidas.

“Não são apenas espaços de biodiversidade, são infraestruturas naturais que regulam a água, mitigam eventos extremos e sustentam economias locais”, acrescentou.

Como propostas, o chanceler defendeu maior integração entre países e políticas ambientais coordenadas.

“Avançar nessa agenda requer decisões claras”, afirmou, ao citar a necessidade de planejamento conjunto de corredores ecológicos e fortalecimento da cooperação regional, especialmente no Pantanal.

(22.mar.2026) — Fernando Aramayo, chanceler da Bolívia, chega ao Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, sede da COP15 em Campo Grande. Foto: Tero Queiroz

Ele também mencionou a importância do financiamento e da governança ambiental.

“A segurança ambiental requer investimentos sustentados, participação local e, sobretudo, coerência institucional”, indicou.

Ao final, reforçou o compromisso da Bolívia com a agenda internacional.

“Sem conectividade ecológica não há estabilidade, e sem estabilidade não há desenvolvimento social”, concluiu.

A COP15 da CMS segue até 29 de março, reunindo delegações de mais de 130 países para discutir medidas de proteção às espécies migratórias e seus habitats.