ESPÉCIES MIGRATÓRIAS
'97% dos peixes migratórios estão sob risco de extinção', conclui COP15
Espécies ameaçadas estão na Ásia, América do Sul, Europa, África, América do Norte e Oceania
A maioria dos peixes migratórios de água doce no mundo está sob risco de extinção, segundo a Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce, divulgada na 3ª feira (24.mar.26) durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), realizada em Campo Grande (MS).
O estudo indica que 97% das espécies listadas pela convenção enfrentam algum nível de ameaça, em um cenário associado à degradação de habitats, poluição, exploração e alterações nos fluxos dos rios.
Elaborado em parceria entre a CMS, o WWF e a Universidade de Nevada, com colaboração do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o relatório é considerado o mais abrangente já realizado sobre o tema.
“Os peixes migratórios de água doce não são apenas maravilhas ecológicas, mas também essenciais para a segurança alimentar, economias locais e patrimônio cultural de muitas populações ao redor do mundo", afirmou a secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel.
De acordo com o levantamento, essas espécies estão entre os vertebrados mais pressionados globalmente, com redução estimada de cerca de 90% de suas populações desde a década de 1970.
“Esses resultados são fruto de um esforço global. Temos todos os motivos para estarmos muito, mas muito preocupados. Nossas espécies de peixes [...] estão mais do que nunca nos enviando sinais claros do seu nível de ameaça, vulnerabilidade e da urgência de nossa atenção”, declarou a secretária nacional de Biodiversidade do MMA, Rita Mesquita.
Embora apenas 24 espécies estejam formalmente listadas pela CMS, o relatório aponta que outras 349 atendem aos critérios da convenção, indicando que centenas ainda podem estar sob risco sem reconhecimento oficial.
A maior concentração de espécies ameaçadas está na Ásia, seguida pela América do Sul, Europa, África, América do Norte e Oceania.
O estudo também destaca bacias hidrográficas consideradas estratégicas para ações de conservação, como Amazônia, Prata-Paraguai-Paraná, Danúbio, Mekong, Nilo e Ganges-Brahmaputra.
“É encorajador observar o alinhamento entre a agenda da CMS e os desafios relacionados à água doce. [...] O país reafirma seu compromisso com a sustentabilidade dos processos ecológicos essenciais”, disse o secretário-executivo do MMA e presidente da COP15, João Paulo Capobianco.
Na Bacia Amazônica, ao menos 21 espécies migratórias apresentam estado de conservação desfavorável.
Segundo o relatório, esses peixes representam cerca de 93% das capturas pesqueiras na região e movimentam aproximadamente 436 milhões de dólares por ano.
Durante a COP15, também está em análise um Plano de Ação Regional voltado à conservação de bagres migratórios da Amazônia, com participação de países da região.
“O Brasil tem feito esforços enormes no sentido de estabelecer planos de ação de recuperação de espécies ameaçadas”, concluiu Rita Mesquita.
