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'IMPERIALISMO TRUMPISTA'

Trump rouba independência e "anexa" Venezuela como 51º estado dos EUA

Ao tratar países soberanos como 'estados em potencial', Trump resgata uma versão crua do imperialismo do século XIX

Trump posta mapa com a Venezuela sendo o 51º estado dos EUA Fotos: Reproduções

O mapa-múndi de Donald Trump continua ganhando novas estrelas na bandeira americana — ao menos no mundo digital. O presidente dos EUA publicou nesta 3ª feira (12.mai.26) em sua rede social, Truth Social, uma imagem que oficializa a Venezuela como o 51º estado norte-americano. A postagem ocorre após Trump invadir Caracas e sequestrar o presidente Nicolás Maduro em janeiro, transformando a crise humanitária latina em uma oportunidade de negócio para a Casa Branca.

A motivação por trás do entusiasmo expansionista não é humanitária, mas geológica. Trump foi explícito ao citar as reservas de petróleo venezuelanas, avaliadas em US$ 40 trilhões: “A Venezuela ama Trump”, disparou o republicano, ignorando solenemente a resistência da presidente interina Delcy Rodríguez.

“PLATAFORMAS BONITAS” E O FIM DA SOBERANIA

Para Trump, a administração de um país parece se resumir à eficiência de sua extração mineral. Em entrevista exibida no dia 10 de maio, o presidente celebrou o cenário pós-Maduro com seu vocabulário característico:

“Eles estavam infelizes. Agora estão felizes. Está sendo bem administrado. A quantidade de petróleo que está sendo extraída é enorme... as grandes companhias estão usando as plataformas mais enormes e bonitas que você já viu". 

A resposta de Delcy Rodríguez, no entanto, foi um balde de água fria na pretensão colonial:

“E continuaremos defendendo a nossa integridade, soberania e independência. Nossa história é uma história gloriosa... para nos tornar não uma colônia, mas um país livre”, rebateu a mandatária.

"SALDÃO" TERRITORIAL DE TRUMP

A Venezuela é apenas o item mais recente em uma vitrine de anexações sugeridas pelo republicano desde que reassumiu a Casa Branca. O método é sempre o mesmo: uma mistura de oferta comercial com ameaça militar.

MÉTODOS E MONTAGENS

O uso de Inteligência Artificial para gerar montagens onde Trump finca bandeiras em solo estrangeiro ou redesenha mapas mundiais tornou-se a ferramenta oficial de diplomacia do republicano.

Para líderes globais, as publicações revelam uma visão de mundo onde fronteiras são fluidas e nações soberanas são tratadas como ativos imobiliários à espera de uma "aquisição hostil" pelo império americano.

Ao tratar países soberanos como "estados em potencial", Trump resgata uma versão crua do imperialismo do século XIX, onde o valor de um povo é medido pelo tamanho de suas reservas de petróleo e pela sua utilidade para o escudo de defesa dos EUA.