DIREITOS HUMANOS
Copa nos EUA: trabalhadores aprovam greve por temor ao ICE e risco de prisões
Para brasileiros e outros estrangeiros que pretendem acompanhar a competição, o ICE representa um perigo real diante da atuação violenta e fora dos limites constitucionais
Quem pretende viajar aos Estados Unidos para acompanhar os jogos da Copa do Mundo de 2026 pode encontrar um cenário de tensão fora das quatro linhas.
Trabalhadores do SoFi Stadium, em Los Angeles, aprovaram autorização para uma possível greve dias antes do início do torneio.
Entre as reivindicações estão melhores salários e garantias de proteção contra ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
O movimento é liderado pelo sindicato UNITE HERE Local 11, que representa trabalhadores dos setores de hotelaria, alimentação e eventos.
A principal preocupação envolve a presença de agentes federais durante os jogos da Copa do Mundo.
O diretor interino do ICE, Todd Lyons, afirmou recentemente que a agência terá um "papel fundamental" na segurança do torneio.
A declaração gerou preocupação entre trabalhadores e organizações comunitárias.
O xerife do Condado de Los Angeles, Robert Luna, afirmou que o Departamento de Segurança Interna informou que agentes federais estarão presentes para auxiliar na segurança dos eventos e poderão, inclusive, efetuar prisões.
Luna alegou, entretanto, que a orientação recebida é que não haverá fiscalização de imigração civil durante as partidas.
Diante da falta de hierarquia na atuação do ICE, implementado pelo presidente Donald Trump, sindicatos e grupos de defesa de imigrantes afirmam que existe receio entre trabalhadores e torcedores.
O UNITE HERE Local 11 defende que funcionários possam deixar seus postos caso a presença de agentes de imigração gere temor razoável por sua segurança.
A entidade também cobra pagamento adicional para os dias de Copa do Mundo e outros grandes eventos realizados no estádio.
"O trabalhador não deveria ter que escolher entre seu emprego e sua liberdade", afirma o sindicato em documento divulgado à imprensa.
A tensão ocorre em uma das cidades com maior população imigrante dos Estados Unidos.
Los Angeles receberá oito partidas da Copa do Mundo e deve atrair milhares de visitantes internacionais.
O sindicato também protocolou uma queixa junto à Procuradoria-Geral da Califórnia.
A alegação é de que trabalhadores poderiam ficar vulneráveis a abordagens migratórias durante o processo de credenciamento exigido pela FIFA.
Enquanto isso, a empresa Legends Global, responsável pelos serviços de hospitalidade do SoFi Stadium, afirma que continua negociando com os representantes dos trabalhadores.
A companhia declarou estar comprometida em alcançar um acordo antes do início da competição.
A preocupação, porém, não se limita à Califórnia.
Organizações comunitárias em cidades-sede como Atlanta e Miami também pedem a suspensão de operações migratórias próximas aos estádios e áreas de transmissão pública dos jogos.
Os grupos argumentam que abordagens do ICE durante a Copa poderiam afastar torcedores e comprometer o ambiente de celebração do torneio.
Para brasileiros e outros estrangeiros que pretendem acompanhar a competição, o ICE representa um perigo real diante da atuação violenta e fora dos limites constitucionais.
Até o momento, as autoridades norte-americanas afirmam que a atuação federal nos jogos terá foco na segurança do evento.
Ainda assim, entidades sindicais e organizações de direitos dos imigrantes no próprio país seguem pressionando por garantias formais de que não haverá operações de fiscalização migratória relacionadas à Copa do Mundo.
