SIDROLÂNDIA (MS)
Turma de indígenas de direita faz movimento para constranger Lula em MS, diz Vander
Cabeça da mobilização é filiado ao MDB e apoia pré-candidaturas de direita
Um pequeno grupo de indígenas da Terra Indígena Buriti anunciou o que chamou de “coletiva” a ser realizada às 14h30 desta 2ª feira (15.jun.26), na Rua Aviação, no Bairro São Bento, em Sidrolândia — município a 81 quilômetros da Capital, Campo Grande (MS).
De acordo com o anúncio, a reunião teria como pauta a recente ocupação de propriedades rurais no município por integrantes da Aldeia Buriti.
O encontro foi convocado sem o conhecimento dos reais mobilizadores da ocupação.
A reportagem do MS Notícias apurou que a iniciativa não foi comunicada previamente às demais representações indígenas da região.
Segundo apurado, o movimento é encabeçado pelo cacique Rodrigues Alcântara, tio do vereador tucano Eder Alcântara (PSDB). Rodrigues, inclusive, é atual secretário municipal de Assuntos Indígenas de Dois Irmãos do Buriti, portanto, funcionário do prefeito Wladimir de Souza Volk, conhecido como "Japão" (MDB).
Além disso, o cacique Rodrigues é filiado ao MDB e apoia as pré-candidaturas de Reinaldo Azambuja, Viviane Luiza e Odilon Ribeiro, nomes ligados ao grupo político do atual governador.
O presidente estadual do PT e deputado federal Vander Loubet explicou à reportagem que a mobilização não tem objetivo social e não foi mobilizada coletivamente.
"Conversei com caciques e lideranças indígenas da região e todos informaram desconhecer as motivações da ocupação e qualquer articulação em torno do ocorrido. Isso desperta grande estranheza, pois as ocupações, quando são feitas, são organizadas e articuladas pelo conjunto dos caciques e lideranças indígenas e têm suas razões amplamente divulgadas, inclusive para a imprensa", pontuou o parlamentar.
Ainda segundo Vander, há informações que dão conta de que o movimento está sendo pensado para constranger o presidente Lula (PT), que deve comparecer a Mato Grosso do Sul no dia 25 de junho, como adiantamos aqui.
“Toda vez que tem qualquer tipo de movimento, há articulação em torno dessas retomadas. Há uma articulação de todo o movimento. Essas lideranças são lideranças que não têm relação com o PT. Eu acho que têm a missão de constranger o presidente Lula aqui no Estado. Isso também é o que suspeitam as lideranças da ocupação, que, assim como nós, foram surpreendidas com essa mobilização que, no meu entender, é partidária”, disse o deputado.
O deputado concluiu confirmando que o presidente Lula virá ao Estado no próximo dia 25 e deve, na ocasião, ir até o Distrito de Nova Itamarati, no antigo Assentamento Itamarati, no trecho que liga a Capital a Ponta Porã (MS).
ASSUSTADOS?
Nos bastidores da política, a mobilização do grupo usando os indígenas soa como uma atitude de desespero, já que sinaliza uma tentativa de corroer a imagem dos pré-candidatos do PT, que incluem Vander ao Senado e Fábio Trad ao Governo, articulando ataques contra o presidente Lula, que cresceu na nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta 2ª feira (15.jun.26).
Segundo o estudo, o presidente Lula acumula 42% das intenções de voto dos brasileiros no primeiro turno. O segundo colocado, pré-candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, detém os mesmos 33% dos votos do capital eleitoral deixado por seu pai, o golpista presidiário Jair Bolsonaro.
Se as eleições fossem hoje e fossem ao segundo turno, Lula bateria os adversários, obtendo 49% dos votos, conforme a BTG/Nexus.
E Lula, tão forte no cenário, transfere aos seus aliados em MS — leia-se Vander, Fábio e diversos outros nomes — todo o prestígio eleitoral. Por isso, a organização tentará, de alguma forma, mobilizar uma espécie de “manifestação”, mas está claro que a reivindicação é eleitoreira.
