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ECONOMIA

Lula confisca recursos de bets ilegais e destina verba para combate ao crime

Pelas novas regras, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, poderá formalizar a identificação de operadores irregulares por meio de um auto de constatação

Governo do Brasil endureceu os procedimentos para aplicar medidas de asfixia financeira ao mercado ilegal de apostas de quota fixa. - Bruno Peres/Agência Brasil

O governo do presidente apertou o cerco contra as casas de apostas que operam sem autorização no Brasil. Em decreto assinado na 6ª feira (19.jun.26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu novos mecanismos para bloquear contas, interromper movimentações financeiras e confiscar recursos de empresas que exploram apostas esportivas fora das regras estabelecidas pelo país.

A medida permite que valores apreendidos dessas operações sejam destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, responsável por financiar ações de prevenção e enfrentamento à criminalidade.

Segundo o governo, a estratégia é atingir o ponto mais sensível das plataformas clandestinas: o dinheiro. A ideia é impedir que empresas irregulares continuem movimentando recursos por meio do sistema financeiro nacional enquanto oferecem serviços sem autorização oficial.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lula afirmou que o governo pretende intensificar a fiscalização do setor.

“Vamos combater de todas as formas possíveis qualquer bet ilegal deste país”, declarou.



Pelas novas regras, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, poderá formalizar a identificação de operadores irregulares por meio de um auto de constatação. A partir desse procedimento, bancos e instituições de pagamento serão comunicados para bloquear valores existentes e interromper novas operações relacionadas à empresa investigada.

O bloqueio deverá ocorrer em até 24 horas após a notificação. As instituições financeiras terão ainda prazo de 48 horas para informar o cumprimento da determinação. O Banco Central acompanhará a execução das medidas.

A condução dos processos administrativos ficará sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), ligada ao Ministério da Justiça. O órgão poderá solicitar documentos, realizar diligências e produzir provas durante as investigações, assegurando o direito de defesa das empresas envolvidas.

Ao final do processo, caso seja confirmado que a operação atuava ilegalmente, os recursos bloqueados poderão ser declarados perdidos e transferidos ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, afirmou que a iniciativa fortalece as ações federais contra organizações criminosas e atividades clandestinas.

O endurecimento das regras ocorre em meio ao esforço do governo para consolidar o mercado regulado de apostas esportivas no país. Desde outubro de 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas mantém parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para retirar plataformas ilegais do ar.

De acordo com dados do Ministério da Fazenda, mais de 50 mil domínios irregulares já foram bloqueados desde o início da cooperação. O monitoramento também alcança redes sociais, aplicativos e campanhas publicitárias que promovem operadores sem licença.

A fiscalização resultou na remoção de centenas de perfis e publicações digitais, além da retirada de aplicativos considerados irregulares.

Outra frente da política federal envolve a proteção dos apostadores. Desde dezembro de 2025, está disponível uma plataforma nacional que permite ao usuário solicitar sua exclusão simultânea de todas as casas de apostas autorizadas. Segundo o governo, mais de 650 mil pedidos de bloqueio voluntário já foram registrados.

Com o novo decreto, a gestão federal tenta ampliar o controle sobre um setor que movimenta bilhões de reais por ano e que, apesar da regulamentação recente, ainda convive com a presença de operadores clandestinos espalhados pela internet.