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SAÚDE INDÍGENA

"Recurso do DSEI-MS estava capturado por entidade", diz diz Camila Jara

(20.jun.26) - A deputada federal Camila Jara durante agenda na sedo do DSEI em Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz

A deputada federal Camila Jara (PT-MS) afirmou neste sábado (20.jun.26), durante evento de entrega de veículos do DSEI-MS, em Campo Grande, que os investimentos na saúde indígena vão além da renovação da frota e precisam ser acompanhados de estrutura, financiamento e respeito aos territórios. A parlamentar fez uma crítica, sem citar nominalmente, à gestão da Missão Evangélica Caiuá, que comandou por anos a saúde indígena no Estado e agora foi substituída.

“Quando a gente se depara com o DSEI de Mato Grosso do Sul, a gente vê que parte do recurso estava capturado por uma entidade e isso nos levou às condições que nós estamos aqui”, disse a parlamentar.

Camila ressaltou que a entrega dos mais de 90 novos veículos, entre caminhonetes e vans, representa mais do que a renovação de frota.

“Parece só a entrega de carro e de caminhonete, mas para quem está aqui, para as lideranças que estão aqui, sabe o quanto esses carros fazem diferença na hora que um parente bate na porta e pede socorro”, afirmou durante o discurso a uma plateia de lideranças que acompanhou a entrega.

(20.jun.26) – A deputada federal Camila Jara (PT-MS) participou, em Campo Grande, da entrega de veículos ao DSEI-MS e afirmou que os investimentos na saúde indígena precisam ir além da renovação da frota, com mais estrutura, financiamento e atenção aos territórios. Durante o discurso, a parlamentar defendeu melhorias na gestão e na rede de atendimento às comunidades indígenas. Foto: Tero Queiroz

Para a deputada, a nova gestão responsável pela saúde indígena deve enfrentar problemas estruturais deixados pela anterior.

“A gente vê que precisa das unidades reformadas para que médicos, fisioterapeutas e enfermeiros façam o atendimento adequado”, disse.

Segundo Camila, a chegada dos veículos impacta diretamente situações de urgência nas aldeias, mas não resolve sozinha as demandas das comunidades indígenas.

“As lideranças que estiveram aqui falaram que só o carro não basta. A gente precisa da gasolina”, afirmou, defendendo a necessidade de articulação entre parlamentares estaduais e federais para garantir o abastecimento da frota.

Durante o discurso, a deputada também relacionou a pauta indígena ao cenário político nacional e citou uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agenda com lideranças indígenas.

(20.jun.26) – A deputada federal Camila Jara (PT-MS) discursou durante evento de entrega de veículos ao DSEI-MS, em Campo Grande, dirigindo-se à secretária de Saúde Indígena, Lucinha, e defendendo que os investimentos na área vão além da renovação da frota, exigindo estrutura, financiamento e respeito aos territórios. Foto: Tero Queiroz

“Eu estava lá junto com o presidente Lula quando ele subiu a rampa do Palácio do Cacique Raoni. E ele deu um recado ao povo brasileiro: ele sabe que vocês chegaram aqui antes da gente e que os esforços do Estado devem estar voltados para suprir essas demandas”, disse.

Camila afirmou ainda que a pauta indígena enfrenta disputas políticas e resistências no Congresso.

“Tem muita gente lutando contra a gente. Quando passou o marco temporal, foi um dos dias mais difíceis para representar o povo de Mato Grosso do Sul”, declarou.

(20.jun.26) – A deputada federal Camila Jara (PT-MS) participou como testemunha da assinatura da ordem de serviço para a reforma de uma Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) em Aquidauana, durante agenda do DSEI-MS em Campo Grande. Foto: Tero Queiroz

Segundo ela, a saúde indígena está diretamente ligada à demarcação de terras e à garantia de condições mínimas de permanência nos territórios.

“Saúde indígena começa com a demarcação dos territórios para que a gente possa prestar o atendimento lá na base”, concluiu. 

Desde 2025, a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) passou a atuar como entidade de apoio à execução de serviços e contratos no âmbito do SUS, em articulação com o Ministério da Saúde e, em algumas frentes, com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI). A gestão da política de saúde indígena, no entanto, segue sob responsabilidade da SESAI.