MS Notícias

MEIO AMBIENTE

Greenpeace revela omissão da ANM para garimpo ilegal de ouro

'Passou' 25,3 toneladas de ouro entre 2018 e março de 2026, com valor estimado em R$ 18,4 bilhões

Garimpo em exploração na Terra Indígena Sararé (MT) Foto: Reprodução/TV Globo

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na Justiça contra a Agência Nacional de Mineração (ANM) após um estudo do Greenpeace apontar indícios de que autorizações de garimpo em Mato Grosso, Pará e Rondônia teriam sido usadas para dar aparência legal a ouro extraído ilegalmente da Amazônia.

Segundo o levantamento, 25,3 toneladas de ouro teriam sido movimentadas entre 2018 e março de 2026, com valor estimado em R$ 18,4 bilhões.

A ação foi assinada no dia 7 pelo procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha.

O MPF afirma que a Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), documento criado para autorizar exploração de ouro em pequena escala, passou a ser utilizada como mecanismo para regularizar minério retirado de áreas proibidas, como terras indígenas e unidades de conservação.

O estudo “Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude”, produzido pelo Greenpeace Brasil, apontou suspeitas envolvendo 98 PLGs distribuídas entre 20 titulares nos três estados.

De acordo com o relatório, essas autorizações concentram 97% do ouro declarado em 187 processos minerários analisados pela organização.

Na ação, o Ministério Público aponta falhas na fiscalização da ANM e afirma que o modelo de Permissão de Lavra Garimpeira se tornou um dos principais caminhos para a circulação de ouro ilegal.

Entre os problemas citados estão a falta de critérios objetivos para definir quais áreas podem operar como garimpo, a ausência de fiscalização sobre registros sem comprovação de atividade e o uso de várias PLGs como se fossem um único empreendimento de grande porte.

O MPF também cita os chamados “garimpos fantasmas”, locais que registram produção mineral sem comprovação de funcionamento físico.

A ação pede que a Justiça determine mudanças no sistema de fiscalização.

Entre as medidas solicitadas está a criação de um grupo técnico, em até 30 dias, para revisar o funcionamento das Permissões de Lavra Garimpeira.

O MPF também pede que a ANM crie, em até 60 dias, um programa nacional para analisar e suspender preventivamente PLGs sem evidências de atividade minerária.

A agência ainda deverá apresentar, em até 120 dias, um estudo técnico para uma nova regulamentação do regime de exploração.

A reportagem entrou em contato com a ANM, mas não recebeu resposta até a publicação.

GARIMPO ILEGAL EM TERRA INDÍGENA

A ação ocorre no mesmo período em que o MPF cobra medidas contra o avanço do garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso.

O território indígena é considerado uma das áreas mais afetadas pela exploração ilegal de ouro no país.

Segundo o Ministério Público, há indícios de atuação do Comando Vermelho na região.

O órgão solicitou informações da União, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da ANM, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Os órgãos deverão informar quais ações foram adotadas para cumprir uma decisão judicial de 2022 que determinava medidas de proteção ao território.