"DNA DA CORRUPÇÃO"
Governo Bolsonaro inflou em R$ 1,3 milhão redes de vôlei para escolas sem quadra
Proposta foi encabeçada por Damares Alves
A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou superfaturamento de R$ 1,3 milhão no programa esportivo DNA do Brasil Talentos, lançado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e encabeçado pela então ministra Damares Alves.
A auditoria também identificou desperdício de dinheiro público. Escolas do Tocantins receberam redes de vôlei, traves e cestas de basquete mesmo sem possuir quadras esportivas.
O programa ainda desenvolveu um aplicativo para alunos que, segundo o próprio instituto responsável, não tinham acesso à internet nem e-mail para utilizá-lo.
A CGU analisou um contrato firmado em 2021 entre o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e o Instituto para o Desenvolvimento da Criança e do Adolescente pela Cultura, Esporte e Educação (Idecace).
O convênio previa R$ 19,6 milhões em recursos de emenda da bancada do Tocantins. Desse total, R$ 7,5 milhões foram liberados e tiveram a prestação de contas reprovada.
Os auditores apontaram falta de planejamento, distribuição sem critérios e ausência de comprovação da entrega de parte dos materiais previstos, como uniformes para estudantes e camisetas para professores.
Também foram encontrados indícios de sobrepreço em equipamentos esportivos, material gráfico, papelaria e no desenvolvimento do aplicativo. Um equipamento avaliado em até R$ 467,95 foi comprado por R$ 1.099.
A CGU ainda recomendou aprofundar a apuração sobre contratos firmados pelo Idecace com outras entidades. O relatório cita suspeitas de direcionamento ou conluio entre organizações contratadas e afirma que parte dos serviços pagos não teve a execução comprovada.
Em nota, Damares Alves afirmou que as investigações começaram durante sua gestão e defendeu o ressarcimento dos cofres públicos. O Idecace disse que recorre da decisão no Tribunal de Contas da União (TCU) e contestou as conclusões da auditoria.
