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Prefeitos terão liberdade para escolher segundo voto ao Senado em MS

Reinaldo Azambuja mantém pedido por apoio a Contar, mas admite decisão individual dos gestores

Foto: Reprodução

O presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), Thalles Henrique Tomazelli, afirmou que os prefeitos terão liberdade para definir o segundo voto ao Senado nas eleições deste ano.

A posição teria sido reforçada pelo presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, durante reunião com prefeitos na terça-feira (18), em Campo Grande.

Segundo Tomazelli, Azambuja pediu votos para sua candidatura e para Renan Contar, mas deixou a segunda escolha sob responsabilidade de cada prefeito.

“Reinaldo foi muito enfático ao dizer ‘Estou aqui pedindo voto para mim e para o Contar. Mas os prefeitos têm a própria liberdade de cada qual’. Ali já ficou, né”, disse o prefeito de Itaquiraí.

A situação envolve um histórico de disputa entre Azambuja e Contar, que se enfrentaram politicamente nos últimos anos.

Quando era deputado estadual, Contar direcionou parte de sua atuação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) para críticas à gestão de Azambuja.

Apesar disso, os dois agora integram o mesmo grupo político na eleição de 2026.

79 MUNICÍPIOS, 79 DECISÕES

Tomazelli avalia que a escolha pelo segundo candidato ao Senado deve considerar as relações políticas e as entregas feitas em cada município.

“A segunda vaga de Senado vai na particularidade de cada prefeito. Contar, hoje, é parte do nosso grupo, ao qual eu estou inserido. Isso [pedido de apoio] não ocorre na primeira vaga, porque o Reinaldo tem um longo serviço entregue e existe gratidão dos prefeitos. Mas teve uma disputa com o Contar em 2022, e isso se encerrou, ele faz parte do grupo. Mas acaba que, de fato, cada município tem sua particularidade. São 79 particularidades”, relata.

Na avaliação do presidente da Assomasul, a relação entre prefeitos e candidatos pode pesar mais na segunda vaga.

É nesse espaço que aparece também o deputado federal Vander Loubet (PT), que disputa uma das cadeiras do Senado e mantém relações políticas com prefeitos do Estado.

Tomazelli reconhece que Vander possui uma trajetória construída a partir de sucessivos mandatos como deputado federal e de articulações com municípios.

“O Vander tem o tamanho de um deputado federal. Então, os prefeitos têm as decisões deles. O Reinaldo está no grupo com o Contar, mas a gratidão é pelo trabalho do Reinaldo. Não que a gente [grupo político] seja ingrato ao Contar, não é isso. É que ele não teve a oportunidade de um gestor. E um deputado estadual tem muito pouco serviço ainda [se comparado a um deputado federal]”.

Para ele, as relações construídas ao longo dos mandatos podem influenciar a decisão de cada gestor.

“Cada prefeito tem autonomia para fazer a avaliação. Mas olha bem. Ele [Reinaldo] pede voto pro Reinaldo e pro Riedel. Segunda vaga pro Contar. Agora… tem prefeitos que têm relação com o Vander. E aí cada um decide de acordo com a sua particularidade”, finaliza.

DE ADVERSÁRIOS A ALIADOS

A aproximação entre Reinaldo e Contar ocorre após um período de confronto direto entre os dois.

Em outubro de 2020, Contar protocolou na Alems um pedido de impeachment contra Azambuja, então governador de Mato Grosso do Sul.

A iniciativa ocorreu após denúncia encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que envolvia suspeitas de corrupção e de chefia de organização criminosa.

Na eleição de 2022, os dois também estiveram em lados opostos na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

Agora, Contar integra o mesmo grupo de Azambuja e aparece como opção para a segunda vaga ao Senado.

A definição, porém, não será necessariamente uniforme entre os prefeitos. Conforme Tomazelli, cada um dos 79 municípios poderá escolher de acordo com suas próprias alianças e relações políticas.