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Lula promete acabar com as bets no Brasil

Presidente afirmou que medida dependeria de sua vontade, mas reconheceu que eventual proibição precisaria passar pelo Congresso

18.09.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha em Ceilândia: o evento "Lula em Guarulhos: O Brasil Pronto Pra Mais", realizado no Centro, Guarulhos - SP. - Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 6ª.feira (18.set.26), durante ato de campanha em Guarulhos (SP), que pretende encerrar a atuação das casas de apostas, conhecidas como bets, no Brasil.

“Se depender da minha vontade, vou acabar com as bets no país”, declarou.

Segundo Lula, a preocupação está relacionada principalmente aos impactos das apostas sobre pessoas de baixa renda.

Durante o discurso, o presidente também relatou ter conversado com uma jovem que, segundo ele, tentou tirar a própria vida três vezes. Lula utilizou o episódio para defender medidas de combate ao vício em apostas.

“Eu não tinha noção. Eu conversei com uma menina que tentou se matar três vezes”, afirmou.

FUTEBOL

Presidente Lula reuniu multidão em Guarulhos. Foto: Ricardo Stuckert

Lula também contestou o argumento de que o encerramento das bets poderia provocar perdas significativas para o futebol brasileiro.

O presidente citou clubes brasileiros que conquistaram o Mundial de Clubes antes da expansão das plataformas de apostas no país e afirmou que a relação entre as duas atividades não seria necessária para a manutenção do futebol.

“Esse negócio de que se acabar com as bets vai acabar com o futebol é uma balela”, disse.

A declaração ocorreu um dia depois de clubes de futebol do Rio de Janeiro e de São Paulo e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) divulgarem uma carta em defesa da manutenção das apostas autorizadas e da publicidade dessas empresas.

As entidades defenderam a continuidade da atividade dentro das regras estabelecidas pelo governo federal e com empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa empresas do setor, afirmou que uma eventual interrupção das operações poderia reduzir investimentos no esporte. Segundo a entidade, a estimativa é de perda de R$ 9 bilhões até o fim das licenças atualmente previstas, em 2029.

REGULAMENTAÇÃO

Acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelos candidatos Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, Lula afirmou que, diante dos impactos atribuídos às apostas, o problema deve ser enfrentado e não negociado. Foto: Ricardo Stuckert

A possibilidade de proibir as bets já havia sido mencionada por Lula em abril. Na ocasião, o presidente afirmou que estava preocupado com o endividamento da população e disse que discutia internamente a possibilidade de encerrar as plataformas.

“Se as bets causam mal, por que a gente não acaba? Nós estamos tentando discutir isso”, declarou na época.

Na mesma fala, Lula reconheceu que uma eventual proibição não dependeria apenas do Executivo e precisaria ser discutida pelo Congresso Nacional.

O tema voltou ao centro do discurso presidencial durante o ato de campanha em Guarulhos, realizado na noite desta 6ª.feira.

Além das apostas, Lula mencionou propostas relacionadas a políticas sociais, educação, habitação, salário mínimo, controle da inflação e políticas de cuidado para a população idosa.

A Agência Brasil registrou que, no ato, o presidente também defendeu medidas de combate ao vício em apostas e políticas voltadas à qualidade de vida da população de menor renda.