VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Empresário é condenado por agredir ex-Miss Universo
Nasser Chami foi condenado por lesão corporal e ameaça contra Guilheny Abramoski; defesa informou que irá recorrer
O empresário Nasser Chami foi condenado por lesão corporal e ameaça contra a ex-mulher Guilheny Abramoski, eleita Miss Universo Rio Branco em 2023.
O caso ocorreu em novembro de 2024, em Rio Branco (AC), e a condenação foi definida na 6ª.feira (11.set.26) pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC).
A decisão foi publicada no Diário da Justiça do Acre na 3ª.feira (15.set.26). O processo tramita em segredo de Justiça.
CONDENAÇÃO
A decisão foi tomada por unanimidade após recurso apresentado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) contra uma sentença que havia absolvido Chami.
Segundo o relator do processo, desembargador Samoel Evangelista, as provas reunidas eram suficientes para comprovar a ocorrência da lesão corporal e a autoria atribuída ao empresário.
Entre os elementos analisados pelo Tribunal está o exame de corpo de delito realizado após o episódio.
O acórdão também considerou a mudança de versão apresentada por Guilheny durante o processo. O relato posterior foi desconsiderado pelos desembargadores na análise do caso.
Chami foi condenado pelos crimes de lesão corporal contra mulher por razões da condição do sexo feminino e ameaça, em contexto de violência doméstica e familiar.
A decisão aplicou dispositivos da Lei Maria da Penha e estabeleceu o cumprimento da pena em regime aberto.
A defesa informou que pretende recorrer da condenação.
RELATO DA EX-MISS
Na época do episódio, em 18 de novembro de 2024, Guilheny relatou ao g1 que havia chegado em casa quando encontrou o então marido, segundo ela, agressivo.
Ela afirmou que Chami retirou roupas do guarda-roupa e determinou que deixasse a residência. Ainda segundo o relato, quando tentou segurar a porta, teria sido agredida.
“Ele estava literalmente surtado, me bateu bastante, bateu no rosto, na cabeça, me deu vários tapas”, afirmou à época.
Guilheny também relatou que correu para outro cômodo da casa, mas que as agressões teriam continuado.
“Eu gritei bastante, eu gritava pedindo para ele parar, dizia: ‘por favor, para, não me bate’ e mesmo assim ele não parava”, declarou.
Ainda conforme o relato apresentado à imprensa, Chami teria colocado um revólver na cintura e determinado que ela limpasse a residência.
Depois, segundo Guilheny, ele teria saído para buscar a filha em uma sessão de terapia levando o celular dela.
A Patrulha Maria da Penha foi acionada e, conforme o relato da ocorrência, constatou hematomas no corpo da modelo.
PRISÃO E MEDIDAS CAUTELARES
Após o episódio, Chami foi levado para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
Ele passou por audiência de custódia em 19 de novembro de 2024 e foi colocado em liberdade mediante pagamento de fiança.
A Justiça determinou medidas cautelares, entre elas o monitoramento eletrônico e a proibição de aproximação ou contato com Guilheny.
O relacionamento entre os dois havia durado aproximadamente um ano e três meses.
Na época, Guilheny afirmou que não esperava aquele comportamento do então marido.
“Ele tem uma filha pequena, sempre foi um bom pai, não imaginava que seria assim como marido”, declarou.
DEFESA
A advogada Larissa Chaves, responsável pela defesa de Chami, afirmou que pretende recorrer da decisão.
Em manifestação sobre o processo, a defesa classificou o recurso do Ministério Público como equivocado e contestou elementos apresentados durante a tramitação da ação.
A advogada também afirmou que houve informações que considera falsas no processo e disse que continuará recorrendo em favor do empresário.
