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ECONOMIA

Exportações para a Europa crescem 30,7% após acordo com o Mercosul

Desde 2023, o Brasil abriu 700 mercados para o agronegócio

FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 30,7% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado foi associado à entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, anunciada em 1º de maio, após quase 27 anos de negociações.

O dado foi divulgado nesta terça-feira (13.out.26) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante evento em Brasília (DF).

No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 44,17 bilhões, alta de 20% em relação ao mesmo período do ano passado.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também destacou o avanço do comércio bilateral. Segundo ele, as trocas comerciais entre os países dos dois blocos cresceram mais de US$ 6 bilhões desde a aprovação e a entrada em vigor do tratado.

“As exportações brasileiras tiveram uma alta de 10,4% em 2026. Só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações”, declarou Vieira.

COMÉRCIO EXTERIOR

Durante o evento, Márcio Elias Rosa afirmou que o crescimento das exportações brasileiras não se limita ao agronegócio. Segundo o ministro, o comércio exterior do país avançou, em média, 10,5%, mesmo diante de tensões geopolíticas e do aumento de barreiras comerciais.

O ministro atribuiu parte dos resultados à capacidade de expansão das empresas brasileiras e às ações do governo para ampliar a presença do país no mercado internacional.

“É a pungência do setor privado e a capacidade do setor privado de expandir, sobretudo no agro. A missão número um da nova industrialização do Brasil envolve justamente a agroindústria”, afirmou.

Ao comentar as relações comerciais com os Estados Unidos, Elias Rosa classificou o momento como “delicado”, mas defendeu a continuidade das negociações diplomáticas.

“Mas não sairemos do diálogo da negociação”, disse.

700 NOVOS MERCADOS

O anúncio ocorreu durante cerimônia no Ministério da Agricultura e Pecuária para celebrar a abertura de 700 novos mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros desde o início de 2023.

As autorizações ocorreram em 99 destinos, entre países e blocos econômicos, após a liberação sanitária para a entrada de produtos brasileiros.

O ministro da Agricultura, André de Paula, comparou o resultado ao registrado na gestão anterior.

“Foram 700 aberturas de mercado contra 241 do governo anterior”, afirmou.

De Paula também apresentou projeções para o setor. Segundo ele, a expectativa é que a participação do agronegócio alcance 29% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário neste ano. Para a safra 2026/2027, a previsão é de 366 milhões de toneladas.

EXPORTAÇÕES E INVESTIMENTOS

Estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) aponta que o país exportou US$ 5,8 bilhões para os novos mercados abertos desde 2023. A projeção é que as vendas para esses destinos cheguem a US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.

André de Paula afirmou ainda que o Brasil pretende encerrar o ano como o maior exportador mundial de alimentos. Segundo o ministro, as vendas externas do setor somaram US$ 169 bilhões no acumulado do ano, cerca de US$ 2 bilhões abaixo do resultado dos Estados Unidos.

O ministro também destacou os recursos destinados pelo governo federal ao financiamento da produção rural. Segundo ele, mais de R$ 610 bilhões foram investidos no Plano Safra atual, voltado à agricultura empresarial e familiar.

“Nos quatro anos de governo Lula, foram investidos mais de R$ 1 trilhão. Isso dá conta da importância que conferimos ao agro brasileiro”, afirmou.

Entre as perspectivas para ampliar as vendas externas, De Paula citou a autorização concedida pela China para a exportação de miúdos suínos brasileiros e manifestou expectativa de novas aberturas de mercado para produtos agropecuários nacionais.