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SOB LULA

Petrobras é sucesso e Vale acumula perdas em 2026

Alta do petróleo e expectativas sobre dividendos impulsionam estatal, enquanto minério de ferro pressionado afeta mineradora

Há 20 anos, Lula anunciava autossuficiência do Brasil na produção de petróleo. - Foto: Ricardo Stuckert / PR

A Petrobras e a Vale registram desempenhos opostos na Bolsa em 2026. Enquanto as ações da petroleira acumulam forte valorização, os papéis da mineradora recuam.

A diferença está ligada principalmente às commodities. O petróleo subiu com as tensões no Oriente Médio, enquanto o minério de ferro enfrenta pressão da demanda chinesa e da expectativa de aumento da oferta mundial.

Segundo Heitor de Nicola, especialista em renda variável da AVIN, a Petrobras combina petróleo mais caro, crescimento da produção e geração de caixa. A Vale, por outro lado, sofre com preços menores do minério e com a valorização do real, que reduz o valor convertido das receitas em moeda estrangeira.

MINÉRIO PRESSIONA A VALE

A Vale não acompanhou a alta de parte das ações brasileiras após o primeiro turno das eleições. Seus resultados dependem principalmente do mercado internacional de minério de ferro e da atividade econômica da China.

Em relatório recente, o UBS BB avaliou que ainda é cedo para apostar no fim da queda dos papéis. O banco aponta aumento da oferta global, incluindo novos volumes do projeto Simandou, na Guiné, e demanda fraca por aço.

O BTG Pactual também alertou para uma compressão dos resultados da mineradora, provocada por preços menores do minério, custos mais altos e pressão sobre a rentabilidade.

A queda do dólar também afeta a companhia, que recebe parte relevante de suas receitas em moeda estrangeira. Uma recuperação consistente depende de melhora nos preços do minério, estímulos econômicos na China ou retomada do setor imobiliário chinês.

PETROBRAS AVANÇA COM O PETRÓLEO

A Petrobras foi beneficiada pela alta do petróleo Brent, que superou US$ 100 por barril em meio às tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz. O movimento elevou as expectativas de geração de caixa e distribuição de dividendos.

Em outubro, a companhia também anunciou uma descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na costa do Amapá e arrematou 21 blocos em leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com desembolso de R$ 3,2 bilhões.

A estatal ainda firmou acordos sobre jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, na Bacia de Santos. Com isso, deverá receber cerca de US$ 859 milhões de sócios do consórcio até novembro.

Apesar da valorização, analistas avaliam que parte das notícias positivas já está incorporada às cotações. Uma redução das tensões no Oriente Médio poderia aliviar o preço do petróleo e limitar novos ganhos.

EXPECTATIVAS PARA AS DUAS EMPRESAS

Para a Petrobras, os próximos resultados trimestrais e a divulgação do plano estratégico são vistos como fatores capazes de influenciar as ações. O BTG Pactual mantém avaliação positiva, apoiada na geração de caixa e no crescimento da produção.

Matheus Jaconelli, analista da ZIIN Investimentos, também destaca o endividamento controlado, a liderança de mercado e o potencial de dividendos da estatal. Ele pondera, porém, que repetir a valorização observada em 2026 pode ser mais difícil.

Para a Vale, a recuperação depende de sinais mais claros de melhora no mercado de minério. Juros elevados nos Estados Unidos, oferta abundante e incertezas sobre a economia chinesa continuam entre os fatores de pressão.

BANCOS MANTÊM VISÕES DIFERENTES

A divergência também aparece nas recomendações de analistas. Segundo compilação da Reuters citada no levantamento, oito das nove casas consultadas recomendam compra de ações preferenciais da Petrobras (PETR4), enquanto uma mantém posição neutra.

Para a Vale (VALE3), oito casas recomendam compra e outras oito indicam manutenção dos papéis.

Entre os bancos com avaliação positiva para a Petrobras estão BTG Pactual, Goldman Sachs, JPMorgan, Itaú BBA e UBS BB. As análises destacam a geração de caixa, os dividendos e o crescimento da produção.

Na Vale, embora parte dos analistas ainda recomende compra, projeções e preços-alvo vêm sendo revisados diante da queda do minério e das dúvidas sobre a demanda chinesa. O UBS BB reduziu seu preço-alvo para R$ 73 e manteve recomendação neutra.

O BTG Pactual também aponta pressão sobre os resultados da mineradora. Apesar disso, os papéis passaram a negociar com desconto em relação à média histórica e a empresas do setor, aspecto considerado por analistas que avaliam investimentos no longo prazo.