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ELEIÇÕES NOS EUA

Mulheres democratas dão início ao fim da tirania Trump

"Lutaremos para reduzir preços de alimentos e gasolina, ampliar o acesso à saúde, baratear moradia e cuidado infantil, diminuir custos dos serviços públicos, combater a corrupção republicana, conter o cruel governo Trump e proteger nossas comunidades"...

Onda azul de mulheres derrota Trump nos EUA.

A reação ao segundo mandato de Donald Trump começou a aparecer nas urnas. Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, até então controlada pelos republicanos, em uma derrota política para o presidente que transformou o governo em palco de ataques, retrocessos e disputas institucionais.

A vitória foi impulsionada por candidaturas femininas, que tiveram papel decisivo nas disputas mais acirradas. Mais da metade das eleições competitivas para a Câmara contou com mulheres concorrendo por um ou pelos dois partidos. Entre as 41 cadeiras mais disputadas, anteriormente ocupadas por republicanos, 20 tiveram candidatas democratas.

A projeção da Decision Desk HQ, divulgada na 3ª.feira (3.nov.26), confirmou a retomada democrata da Câmara. Até então, os republicanos mantinham uma vantagem estreita, com 218 cadeiras contra 214 dos democratas. 

O resultado representa uma resposta eleitoral ao avanço das políticas de extrema direita de Trump, marcado pelo aumento do custo de vida, ataques a direitos humanos e direitos a informação, cortes de investimentos, criação e financiamento de guerras e denúncias de corrupção envolvendo integrantes de seu governo.

MULHERES NA LINHA DE FRENTE

Dawn Greenberg (3ª à esquerda) e apoiadores da candidata Cait Conley participam de comício em Peekskill, Nova York, em 25 de outubro de 2026. As camisetas fazem referência a um confronto verbal entre Conley e o deputado Mike Lawler durante a campanha. Foto: Adrianna Newell/The 19th

No 17º distrito de Nova York, a democrata Cait Conley, veterana militar e ex-integrante da área de segurança nacional, derrotou o republicano Mike Lawler.

Durante a campanha, Conley criticou o alinhamento de Lawler com Trump e o acusou de atuar como fantoche do presidente. Republicanos e eleitores independentes também manifestaram insatisfação com a condução do governo.

A deputada Kathy Castor participa de audiência no Capitólio, em Washington, capital dos Estados Unidos. Foto: Michael Brochstein/SIPA/AP.

Na Flórida, Kathy Castor conseguiu a reeleição mesmo após os republicanos redesenharem seu distrito eleitoral para favorecer candidatos conservadores. A estratégia de manipulação dos limites eleitorais, conhecida como gerrymandering, não garantiu o resultado esperado pelo partido.

Pia Dandiya aparece ao fundo, atrás de seu filho, em registro da eleição para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Também na Flórida, a democrata Pia Dandiya conquistou uma cadeira em um distrito vencido por Trump em 2024. Ela será a primeira congressista de origem sul-asiática do Estado.

CORRUPÇÃO E CUSTO DE VIDA

Shannon Taylor, candidata democrata à Câmara dos Representantes pela Virgínia, participa de ato de campanha em Henrico, em 19 de outubro de 2026. Foto: Win McNamee/Getty Images

Na Virgínia, a promotora Shannon Taylor derrotou o republicano Rob Wittman, que tentava conquistar seu 11º mandato. A democrata concentrou sua campanha em denúncias de corrupção, negociações de ações por congressistas e aumento do custo de vida.

Taylor também explorou o descontentamento com a condução do caso Jeffrey Epstein e a cobrança por responsabilização de autoridades diante de denúncias de violência sexual.

Na Geórgia, Jasmine Clark conquistou espaço na disputa por renovação política e representação feminina. Doutora em microbiologia pela Universidade Emory, ela deverá se tornar a primeira mulher negra com doutorado em ciências a integrar o Congresso norte-americano.

A deputada estadual Jasmine Clark aparece em registro fotográfico durante atividade de campanha em um conjunto habitacional de Lilburn, na Geórgia, em 22 de outubro de 2022. Foto: Demetrius Freeman/The Washington Post/Getty Images

CONTER O CRUEL GOVERNO TRUMP

Ken Martin participa de ato e entrevista coletiva da campanha Vença com os Trabalhadores, promovida pelo Comitê Nacional Democrata em Detroit, Michigan, em 16 de janeiro de 2025. Foto: Aaron J. Thornton/Getty Images/One Fair Wage

Num comentário à conquista do controle da Câmara dos Representantes dos EUA pelos democratas, o presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC), Ken Martin, divulgou a seguinte declaração: 

"Os democratas passaram o último ano totalmente focados em conversar com nossos vizinhos, cadastrar eleitores e se organizar em todas as partes do país. Esta noite, podemos ver os resultados: conquistamos cadeiras antes ocupadas por republicanos e recuperamos a maioria na Câmara dos Representantes. Parabéns aos nossos candidatos, aos partidos democratas de nossos estados e a todos os americanos que se empenharam para eleger defensores comprovados das famílias trabalhadoras. Com os democratas de volta ao controle da Câmara, lutaremos para reduzir o preço dos alimentos e da gasolina, ampliar o acesso à saúde, tornar a moradia e o cuidado infantil mais acessíveis, diminuir o preço dos serviços públicos, acabar com a corrupção desenfreada dos republicanos, conter o cruel governo Trump, proteger nossas comunidades e colocar nossa nação no caminho de um futuro mais promissor". 

TRUMP FRACO NO CONGRESSO

Donald Trump durante entrevista coletiva em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, em 28 de dezembro de 2025. Foto: Daniel Torok/Casa Branca

A derrota republicana reforça que há um desgaste da liderança de Trump e abre uma nova frente de enfrentamento institucional. Com a Câmara sob controle democrata, o presidente terá menos liberdade para aprovar sua agenda radical de extrema direita sem enfrentar resistência parlamentar.

A oposição também ganha instrumentos para fiscalizar o governo, convocar autoridades, investigar contratos, gastos públicos e possíveis irregularidades na administração federal. 

Apesar de essa ainda não ser a derrota de Trump e de sua tirania à frente dos EUA, o resultado retira dos republicanos a estrutura de sustentação no Congresso e sinaliza que o eleitorado não está disposto a conceder um cheque em branco ao autocrata.