18 de junho de 2021
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De cada 10 presídios no Brasil, 3 permitem entrada de drogas e armas

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Três em cada dez presídios brasileiros não conseguem blindar a entrada de armas e drogas. A informação é do diretor-geral do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), Renato De Vitto, que participou ontem de uma audiência pública na CPI do Sistema Carcerário, realizada na Câmara Federal.

Segundo De Vitto, o principal problema é que faltam máquinas para detectar a presença de objetos como o body scan (aparelho utilizado por bancos) e os chamados rastreadores manuais, semelhantes a aqueles usados nos aeroportos.

Para Vitto, não é apenas a falta de equipamentos de segurança que facilita entrada de arma e drogas nos presídios, mas também o déficit de agentes carcerários e o excesso de presos, o que facilita não só entrada de objetos não permitidos, mas também a fuga da presos.

O diretor afirmou que as prisões do Brasil sofrem com a superpopulação. Segundo Vitto, o Brasil possui uma das maiores taxas crescimento da população carcerária do mundo, chegando a ser seis vezes maior que a dos Estados Unidos. “Para cada espaço destinado a 10 presos, nós temos 16 a 17”, explicou.

?Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, desde início desse ano, já foram registrados casos de fuga em Dourados, Água Clara, Chapadão do Sul e Campo Grande, onde um detendo conseguiu fugir a pé do Presídio de Trânsito, que possui 540 presos e apenas sete agentes penitenciários. 

Assim como no sistema carcerário de outros estados, em Mato Grosso do Sul, a superlotação nas delegacias devido à falta de vagas em presídios é outro agravante de situação. Em janeiro deste ano, por exemplo, o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), denunciou que haviam 41 presos em uma cela com capacidade para 12 pessoas.

Outro problema apontado pelos convidados é que o sistema penitenciário brasileiro não trabalha de forma eficaz na reinserção dos detentos na sociedade. 

Na opinião do presidente da CPI, deputado Alberto Fraga (DEM-DF), a ineficácia do atual modelo está relacionada a problemas de gestão e à falta de oportunidades de trabalho e de educação para os detentos nos presídios. Ele assegurou que a comissão vai entregar uma proposta para a sociedade. “Nós devemos isso”.