10 de abril de 2021
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JUSTIÇA

Indiciado por injúria racial Wassef diz: "Ela não é negra, se fez passar por negra"

Ex-advogado da família Bolsonaro diz não ter sido informado sobre indiciamento

A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou na semana passada o ex-advogado da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Frederick Wassef, por crime de injúria racial contra uma funcionária de uma pizzaria, em Brasília. O caso ocorreu em novembro de 2020, no Lago Sul, e as investigações foram concluídas na última semana. (Veja a entrevista do Fantástico).  

Segundo a Polícia Civil, o suspeito foi intimado a depor durante a apuração, mas a defesa alegou que ele estava em São Paulo, e por isso, não compareceu. O inquérito foi concluído com o depoimento da vítima, a garçonete Danielle da Cruz de Oliveira, de 18 anos, e de outras três testemunhas que também trabalhavam na pizzaria.

Em nota, Wassef afirmou não ter sido informado sobre o indiciamento e diz ser alvo de denunciação caluniosa. "Não ofendi a funcionaria do Pizza Hut e ela não é negra. Ela se fez passar por negra e mentiu sobre tudo o que disse. Sou vítima do crime de denunciação caluniosa."

"Me causa estranheza indiciar uma pessoa desta forma, sem ouvir a outra versão e antes de finalizar as investigações sem elementos de prova", disse o advogado.

À época, Wassef chegou a prestar queixa contra Danielle, por denunciação caluniosa. A polícia juntou as acusações feitas por ele ao inquérito de injúria racial, já que Wassef não prestou depoimento. O indiciamento vai ser analisado pelo Ministério Público do DF (MPDFT), que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.

Para que os casos de racismo diminuam, é fundamental que a pessoa que comete racismo seja denunciada, já que racismo é crime previsto pela Lei 7.716/89. Muitas vezes não sabemos o que fazer diante de uma situação como essa, nem como denunciar, e o caso acaba passando batido.

FONTE: G1.