27 de setembro de 2021
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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA | VALINHOS (SP)

Morto pelo filho de 14 anos, Fabrício tinha carros de luxo e armas de guerra em casa

Investigação aponta que empresário bem-sucedido tinha processos por falsificação ideológica; família narra violência; adolescente foi ouvido e liberado

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Fabricio Cesar de Oliveira, de 45 anos, era um dos homens mais ricos do Brasil. Ele acabou morto a tiros pelo filho de 15 anos na terça (3.ago), na garagem da casa da família, no condomínio de luxo, Vila Lombarda, em Valinhos (SP). 

Ontem (4.ago) a polícia apreendeu carros de luxo e armas de guerra que estavam em posse de Fabrício.

A Polícia Civil abriu uma investigação sobre o crime, que até o momento indica que o adolescente matou o pai em legítima defesa, já que o filho e a esposa do empresário, uma mulher de 35 anos, eram vítimas de violência doméstica. "[o adolescente] Vivia em um ambiente de muita violência doméstica", explicou o delegado João Neves Netto.

No dia do crime, diz a polícia, o jovem narrou que o pai e mãe foram expulsos de casa. Eles arrumaram os pertences e estariam na garagem colocando malas no carro, quando Fabrício foi até o local e agressivo passou a ameaçar a mãe do adolescente e mandou o filho para quarto, dizendo que era para ele esperar nu no local para levar uma surra, que ele "ia perder os dentes" e "se não morresse, ia ficar aleijado", conforme relatado à polícia.

Por causa das supostas ameaças, mãe e filho voltaram para dentro de casa e ficaram em cômodos diferentes, ainda conforme registrado pela polícia, quando o empresário teria afirmado que mataria os dois.

Instantes depois, a mulher afirmou ter ouvido um tiro vindo da garagem. Fabrício foi atingido na barriga por um disparo e correu na direção do carro. O jovem, desconfiado de que o pai teria mais uma arma no veículo, deu mais dois tiros no pai, também de acordo com depoimentos. Os três disparos, segundo a polícia, atingiram a vítima a região da barriga. Fabrício morreu no local.

INVESTIGAÇÃO

O policial militar Juliano Cerqueira afirmou que mãe e filho foram ameaçados um dia antes da tragédia. "Ele colocou os dois de joelhos no chão, apontou arma para a cabeça, teria enfiado a arma na boca de uma das vítimas e dizia que que ia matá-los".

Segundo a polícia, o garoto vai responder pelo crime de homicídio, inicialmente em liberdade.

Os veículos apreendidos na casa são luxuosos. Havia no local uma McLaren, levada à delegacia de Valinhos, mas que também contava com modelos de fabricantes de luxo como Maserati, Lamborghini e BMW, entre outros. Dos carros apreendidos, um está avaliado em R$ 640 mil e segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), um outro modelo vale R$ 785 mil. O terceiro veículo não teve o valor estimado.

A polícia também apreendeu no imóvel um fuzil calibre 556, duas pistolas calibre 9 milímetros, duas pistolas calibre 380, outro calibre ponto 40, dois revólveres calibre 4,5 milímetros e calibre 357, além de 15 carregadores, sendo cinco de fuzil e o restante de pistolas.

BEM-SUCEDIDO

Fabrício era presidente da Câmara de Comércio Brasil-China e um dos homens mais ricos do Brasil.

O empresário dizia atuar no mercado de comércio exterior e som automotivo, mas usava nomes falsos, já tinha passagem por estelionato e uma condenação na Justiça do Paraná por uma série de cheques sem fundos no ano 2000.

"Esse levantamento pericial vai ser útil para que consigamos esclarecer a vida profissional da vítima, e descobrir informações que a própria família desconhece", disse Netto.

A polícia apurar se os carros, armas e outros bens foram adquiridos legalmente.

Funcionários da residência confirmaram a versão de que o homem era violento com a família.

"Pelas apurações realizadas e oitivas, verificamos que família vivia num ambiente extremamente desregrado, ambiente de muito atrito, muita violência doméstica. (...) Consideramos clara a situação de legítima defesa realizada pelo adolescente para defender tanto sua vítima como da genitora", disse João Neves Netto.

"Ela disse que jamais pode realizar qualquer registro ou denúncia por opressão do seu esposo, que ameaçava constantemente que se algo fosse feito, ele atentaria contra a vida dela", disse Netto.

O caso foi registrado na Delegacia de Valinhos como ato infracional e homicídio em legítima defesa. O garoto e a mãe deixaram o distrito policial sem falar com ninguém e acompanhados de um advogado.