15 de abril de 2021
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AGRESSÃO| RACISMO

Nova acusação de violência contra criança negra em supermercado de SP

Caso aconteceu em uma unidade do Pão de Açucar, na noite de 2ª feira (02.mar.2021), e funcionário foi afastado

Em São Paulo, a Polícia Civil investiga mais um caso de agressão de um funcionário de um supermercado contra uma criança negra acusada de furtar um produto. O caso dessa vez aconteceu na noite de terça-feira (2.mar.2021) em uma unidade do Pão de Açúcar em Pinheiros, bairro da zona oeste da capital. 

Segundo informações da Agência Folhapress, quem viu o caso foi o cartunista do jornal Folha de S.Paulo, João Montanaro. Ele conta que estava em casa quando uma gritaria vinda da rua o surpreendeu, por volta das 21h30.

"Quando olho pela janela, no meio da rua, em frente ao estacionamento do mercado, tem um cara com uma camiseta da cor do mercado segurando uma criança negra com uns 11 ou 12 anos, que tinha uma sacola na mão. Eles estão se atracando na rua e o cara dá um soco na cabeça da criança, que estava tentando se desvencilhar", revelou ao veículo de imprensa. 

Ele conta que a agressão só parou quando alguns entregadores de aplicativo, que ficam na porta do mercado, tentaram separar a briga e se revoltaram contra o agressor. "Os outros seguranças do Pão de Açúcar que estavam perto levaram o cara [agressor] para dentro e nisso a criança já tinha sumido", aponta.

Em nota, o Pão de Açúcar afirmou que "tão logo tomou conhecimento sobre o ocorrido na noite de ontem, acionou imediatamente a loja e as autoridades, e iniciou um processo interno de apuração". A empresa diz repudiar e não tolerar "qualquer ato de violência ou desrespeito" e que "o colaborador envolvido está afastado até que o processo de apuração seja finalizado e as providências necessárias possam ser tomadas". 

Polícia Civil afirma que uma queixa de furto foi registrada na madrugada de quarta-feira (03.mar.2021), através da Delegacia Eletrônica, ou seja, pela internet. O caso foi encaminhado e é investigado pelo 14º Distrito Policial e também, a delegacia investiga a denúncia de agressão, segundo informações dadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

AGRESSÕES ANUAIS

Anualmente agressões em supermercado vem sendo registradas, inclusive reincidências no Pão de Açúcar. Um caso marcante, em 2018, foi o de um adolescente negro de 16 anos, agredido por três seguranças de uma unidade da mesma rede, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, depois de consumir um salgadinho e dois chocolates no mercado. Eles dispararam diretamente contra o rosto do rapaz com uma arma de “airsoft”, equipamento de pressão, que dispara bolinhas de plástico.

No caso, o adolescente foi flagrado pelos seguranças consumindo e, segundo relatou a mãe do adolescente ao portal G1 em 2018, o filho teria assumido aos seguranças a culpa, dizendo que pagaria então pagar pelos itens. Em seguida os vigias chamaram o menino para uma sala dentro do mercado, foi quando, ao se negar, imobilizaram o adolescente e começaram as agressões.

Após ser agredido o adolescente pagou pelos itens consumidos – um bombom Laka, um bombom Crunch e um mini Doritos – no total de R$9,81.

No ano seguinte, no mês de maio de 2019, um segurança do Pão de Açúcar foram novamente acusados de agredir uma moradora de rua transexual em uma unidade da rua da Consolação (SP).

Integrantes da rede do Grupo Pão de Açúcar, várias unidades do "Extra" também registraram episódios recentes de agressões. Pedro Henrique Gonzaga, 19, sufocado por um segurança na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2019. Em setembro do mesmo ano, um rapaz foi torturado em um Extra do Morumbi, em São Paulo, amordaçado, amarrado e recebendo choques.

Novembro de 2020, o espancamento e morte de um cliente, desta vez do Carrefour em uma unidade de Porto Alegre, ganhou repercussão nacional pois teve seu assassinato filmado.

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