27 de setembro de 2021
Campo Grande 34º 22º

ESCOTEIRO MARCO AURÉLIO SIMON

Polícia faz escavações em busca de corpo do escoteiro 'mistério' há 36 anos

Com novas evidências, polícia diz que há duas linhas de investigação

A- A+

A busca pelo corpo de Marco Aurélio Simon, desaparecido aos 15 anos, em 1985, fez a polícia escavar (29.jul.21) um terreno nas proximidades de onde o menino desapareceu misteriosamente durante uma trilha no Pico dos Marins, em Piquete (SP), em 8 de junho de 1985.

Segundo a Polícia Civil, novos indícios fez o caso de 36 anos ser desarquivado. 

A polícia diz que há duas linhas de investigação, a primeira, iniciada hoje aponta que o jovem ponte estar enterrado nos arredores de uma casa próximo à trilha.  "Esta é a primeira de duas averiguações e deve ser concluída ainda hoje. Só escavando para entendermos se vamos encontrar algo na casa. A outra escavação prevista, caso não seja encontrada nenhuma prova nesta quinta, é mais complexa. O local fica em área aberta, próximo da casa, mas ainda precisamos estudar mais o trecho e não tem data definida", disse o delegado responsável pelo caso, Fábio Cabett.

A outra possibilidade que será investigada pela Polícia Civil é a de que Marco Aurélio possa estar vivo e hoje esteja em situação de rua. Há depoimentos de que ele foi visto em Taubaté em mendicância.

A família encomendou de peritos uma imagem envelhecida do escoteiro, com características de morador de rua e usa para tentar encontrá-lo (veja abaixo). Para esta linha de investigação, a polícia acionou as penitenciárias da cidade, equipes da Polícia Civil e Militar.

Família fez imagem de como Marco Aurélio estaria hoje; hipótese é de que ele viva como andarilho  Foto: Arquivo PessoalFamília fez imagem de como Marco Aurélio estaria hoje; hipótese é de que ele viva como andarilho — Foto: Arquivo Pessoal

Esta linha é também o que acredita a delegada Sandra Vergal, responsável pela investigação do caso à época.

O PAI – Ivo Simon, hoje com 82 anos, diz que sempre insistiu na busca por respostas sobre o filho, mas que desde a reabertura do caso tem revivido a dor do dia do desaparecimento. “É uma tortura mental. Eu estou vivendo essa tragédia como se fosse de novo o primeiro dia. O que aconteceu? Imagina se ali nessas buscas estiverem ossos do meu filho, vamos ter que passar pela angústia da espera pelo DNA. E quem matou? Não vamos ter como saber. É uma tortura mental que se arrasta há 36 anos”, disse ao G1. 

“Nós sofremos demais com todo esse processo e destruiu a nossa família. Todos os sonhos que nós tínhamos. Vivemos em função dessa busca”, diz. A esposa de Ivo morreu há seis anos depois de uma série de problemas de saúde, agravados pela situação. Hoje, aos 82 anos e depois de inúmeras cirurgias no coração, ele segue sozinho em busca de respostas.

DESAPARECIMENTO – O escoteiro Marco Aurélio Simon desapareceu depois de seapara-se de outros três amigos, todos com 15 anos à época quando faziam uma trilha. Eles estavam acompanhados de um líder e tentavam alcançar o cume do Pico dos Marins, a 2.420 metros — é o segundo ponto mais alto do estado de SP.

No caminho, um deles torceu o pé e o líder autorizou que Marco Aurélio voltasse sozinho ao acampamento para pedir ajuda. O grupo se perdeu e, quando chegou ao local, encontrou a mochila de Marco Aurélio, mas o adolescente não estava lá.

Foram 28 dias de buscas com policiais de diferentes corporações, além de mateiros, alpinistas, especialistas e aeronaves.