26 de julho de 2021

EMPRESAS FANTASMAS

Empresas de Três Lagoas são alvo da PF por desvio de verbas da Covid-19

PF paulista diz que em 6 contratos haviam indícios de fraudes

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A Polícia Federal (PF) de Guarulhos (SP) cumpriu mandados em Três Lagoas (MS) nesta manhã (21.jul.21) buscando provas de que empresas que atuam no município fizeram uso de recursos destinados à compra de máscaras, desviando finalidade e aponta que os suspeitos cometeram corrupção. 

A operação "Covil-19" esmiúça contratos firmados durante a pandemia de Covid-19 em 2020. "A operação é referente a compras da Prefeitura de Guarulhos em 2020. As buscas foram a pessoas possivelmente envolvidas que estão na cidade, não tendo nenhuma ligação com a Prefeitura de Três Lagoas", comunicou a prefeitura da cidade.    

Os crimes apurados são de fraudes em licitação com dispensa irregular, associação criminosa, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Uma microempresa mineira, que atua na cidade sul-mato-grossense teria sido beneficiada em contrato bem superior a sua capacidade econômica.  

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Polícia Federal de Três Lagoas que disse não estar sabendo da ação e pediu para a equipe contatar a assessoria da PF em  Guarulhos. O MS Notícias, porém, não foi atendido ao telefone nas diversas tentativas nesta manhã.    

VALOR MILIONÁRIO – Os 6 contratos contestados pela PF somam R$ 53 milhões pagos com dinheiro público. 

Os suspeitos aproveitaram o caráter de urgência da situação para dispensar a licitação, direcionar a escolha das empresas e assim superfaturar os serviços, diz a PF. 

SÃO PAULO - Em coletiva de imprensa nesta manhã, os delegados Márcio Magno Carvalho Xavier e Fabricio Alonso Martinez Della Paschoa detalharam que o alvo da operação realizada em Três Lagoas apura irregularidades durante montagem e funcionamento do hospital de campanha instalado em Guarulhos, em março de 2020. 

Todos os 6 contratos tinham sinais de fraude, diz a PF paulista. 

Entre as empresas contratadas, a PF diz que havia entidades fantasmas e até contratadas sem capacidade técnica para executar os serviços; A polícia, diz ainda, que identificou empresários que foram convidados a participar da montagem do hospital e superfaturamento de alguns serviços.

A PF detonou a operação para cumprir 21 mandados de busca e apreensão contra os envolvidos no esquema. As cidades paulistas de Artur Nogueira, Campinas, Guarulhos, Monte Mor, São Caetano do Sul, São Paulo e Teófilo Otoni (MG).

Foram apreendidos documentos, veículos e aparelhos eletrônicos. Não houve prisão, no entanto, medidas cautelares foram aplicadas: as empresas estão proibidas de firmarem contrato com a administração pública e os investigados de saírem do país. A Polícia Federal não especificou qual era a participação do investigado sul-mato-grossense.

OPERAÇÕES NA PANDEMIA – A Polícia Federal diz que ultrapassou na última semana a marca de 100 operações de repressão ao desvio e utilização indevida de verbas públicas federais destinadas ao combate à pandemia de Covid-19. Até o dia 13 de julho, o total de operações chegou a 102 e os valores chegaram a quase R$ 190 milhões.

A PF informou ontem (20.jul) que, desde abril do ano passado, já cumpriu 158 mandados de prisão temporária, 17 de prisão preventiva e 1.536 de busca e apreensão em 205 municípios de 26 unidades da federação. O montante de contratos de produtos e serviços investigados atingiu cerca de R$ 3,2 bilhões.

SUPERFATURAMENTO – Deflagrada em abril de 2020 na Paraíba, a Operação Alquimia foi a primeira ação para apurar suspeita em contrato. De lá para cá, o Amapá é o estado com o maior número de operações, 11 no total, seguido por Maranhão (10), Pernambuco (8), Sergipe (8), Rio de Janeiro (7), São Paulo (6), Piauí (6), Pará (6), Amazonas (4) e Rondônia (4).

Sobre o montante de contratos investigados, o Pará lidera com R$ 1,4 bilhão. Em seguida, aparecem o Rio de Janeiro (R$ 850 milhões), Pernambuco (R$ 198 milhões), São Paulo (R$ 118 milhões), Minas Gerais (R$ 102 milhões), Rondônia (R$ 92 milhões) e Piauí (R$ 82 milhões).