19 de janeiro de 2022
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EXAME NACIONAL

"Enem da desigualdade" surpreende e trata da invisibilidade e registro civil

Edição foi a de menor número de inscritos em 14 anos; estudantes pobres, pretos e indígenas deixaram de se inscrever

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Em seu primeiro dia de provas, que aconteceu ontem (21.nov.2021) em todo território nacional, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou uma ausência de mais de 1/4 (um quarto) dos seus participantes. Ao todo, 808 mil inscritos (26%) não compareceram. 

Esses dados foram apresentados em entrevista coletiva, realizada na noite de domingo (21.nov), pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, e pelo presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Danilo Dupas Ribeiro. 

De acordo com a agência Folhapress, a abstenção foi de 25,5% na prova impressa, com taxa de 46,1% de ausentes na aplicação digital, que confirmou 69 mil inscrições. 

Principal por de entrada para o ensino superior no Brasil, no primeiro ano de pandemia, 2020, mais da metade deixou de fazer o exame na data marcada. Enquanto que a edição deste ano, ficou marcada por ser a de menor número de inscrições dos últimos 14 anos, além de ter uma menor proporção de pretos, pardos, indígenas e pobres. 

Com pouco mais de 3,1 milhões de inscritos, esta edição do exame está sendo chamada de “Enem da Desigualdade”. Em sua ampla maioria, estudantes pobres, pretos e indígenas não se inscreveram, pois foram diretamente prejudicados pela falta de investimento dos governos. Sem acesso a notebooks e internet em casa, não puderam assistir às aulas.

A edição de 2021 também ficou marcada pelas denúncias de servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, alegando que sofreram assédio moral para suprimir perguntas com temas considerados inadequados pela gestão do órgão. Houve a saída coletiva do Inep de 37 servidores.

Na semana que antecedeu o primeiro dia de aplicação, Jair Bolsonaro declarou que “finalmente a prova tem a cara do governo”. Ainda assim, haviam questões sobre racismo e uma outra trazia no enunciado do teste um trecho da música -  de 1979 - "Admirável Gado Novo", de Zé Ramalho, que reflete sobre os anos de ditadura, embora “gado” seja também muito associado à figura dos eleitores e seguidores do presidente, conforme aponta a Rede Brasil Atual, o que deu o ar de surpresa para o Exame. 

Na parte de redação, o Exame trouxe o tema: “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”. Iago Montalvão, que é presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), usou o twitter para fazer comentários a respeito do primeiro dia de aplicação. 

“Uma das principais invisibilidades em registro civil e que prejudica muito acesso a cidadania no Brasil é o fato da dificuldade de trans e travestis obterem seu nome social! Essa é a triste realidade, e se for essa a prova com a cara do governo, Bolsonaro falou a verdade”, escreveu. 

A segunda prova está marcada para o próximo domingo (28.nov.2021).

** (Com informações Agência Folhapress e Rede Brasil Atual)