21 de outubro de 2021
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CONSUMO ENERGÉTICO

Minas e Energia não apoia, mas pede novos estudos sobre a volta do horário de verão

Volta da medida economiza entre 2% e 3% do consumo no início da noite, mas Ministério diz que não ajudaria a enfrentar crise

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Para o Ministério de Minas e Energia, a volta do horário de verão teria impacto limitado no consumo de eletricidade do país, apesar da crescente pressão de setores econômicos. Ainda, segundo a pasta, a medida não ajudaria a enfrentar a crise energética atual.

"A contribuição do horário de verão é limitada, tendo em vista que, nos últimos anos, houve mudanças no hábito de consumo de energia da população, deslocando o maior consumo diário de energia para o período diurno", diz o ministério, em nota.

Ainda assim, segundo Agência Folhapress, através de Bento Albuquerque, o MME afirma que pediu novos estudos ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para avaliar a questão "à luz da atual conjuntura de escassez hídrica", em meio a pressões de setores econômicos pelo retorno do programa extinto em 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Os mais variados setores, como o de turismo, serviços e shoppings centers vêm pressionando o governo pelo retorno do programa. Além da possibilidade de economizar energia, eles seriam beneficiados com o aumento da circulação de pessoas no início da noite, aponta a jornalista Nicola Pamplona.

"No momento, o MME não identificou que a aplicação do horário de verão traga benefícios para redução da demanda", continua a nota, frisando que pediu que o ONS "reexamine a questão". O operador disse que não comentaria o tema. 

Quem também apoia o retorno do horário de verão é o Instituto Clima e Sociedade (ICS), que aderiu ao debate na 2ª feira (13.set.2021); o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Iniciativa Energética Internacional (IEI), por considerarem que o governo precisa lançar mão de todas as medidas de economia possíveis.

Segundo projeção do Idec, a volta do horário de verão economiza entre 2% e 3% do consumo no início da noite.

"O ganho é pequeno, mas neste momento precisamos contar megawatt por megawatt", disse o ex-diretor do ONS Luiz Eduardo Barata, em mesa redonda com jornalistas para apresentar estudo sobre programas de eficiência energética.

Ainda na 2ª feira (13.set.2021), Barata lembrou que o próprio ONS foi contrário ao fim do horário de verão, mas prevaleceu o argumento de que a economia não compensa os transtornos.

Também a Associação Brasileira das Companhias de Energia Elétrica (ABCE) compartilha dessa ideia, conforme aponta o diretor-presidente da entidade, Alexei Vivan.

"Por mais que não faça grandes diferenças, poupar é sempre bom", disse ele, ressaltando que - atualmente - o Brasil está gerando toda a sua capacidade térmica, o que pressiona as tarifas de energia já em 2021 e com tendência de pressão sobre 2022 também.

Deslocar o horário de maior consumo para o início da tarde, a partir da popularização dos aparelhos de ar condicionado reduziu o impacto do horário de verão no sistema, o que acabou sendo uma das justificativas para a sua extinção.

Desde o início de sua defesa, na intenção de derrubar o Horário de Verão, o governo defendia que, a menor economia não justificava o transtorno provocado aos trabalhadores que precisam acordar cedo e tomar o transporte público com o céu ainda escuro.

"Não fazia sentido em um momento de tranquilidade no setor elétrico, mas agora qualquer economia é bem vinda", frisa Vivan.