26 de outubro de 2021
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NEGACIONISMO BRASILEIRO

Variante Delta e baixa coberutra vacinal preocupam; desde 2015 Brasil desacredita de vacinas

Cobertura contra outras doenças atingou patamares da década de 80 e, da Covid-19, apenas 39% da população completou esquema

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No sentido oposto do enfrentamento à pandemia mundial - que registra segunda semana consecutiva de recuo através do globo -, até ontem (22.set.2021) o Brasil registra uma alta de 42% de novos casos em cinco dias, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Comunicados emitidos pela Organização apontam dois cenários. Um é a predominância da variante Delta, que corresponde a mais de 90% dos casos em todo o planeta, aliada aos bons resultados de vacinação no mundo; o outro é a mesma situação, com uma nova escalada de infectados no Brasil, aponta a Rede Brasil Atual de notícias. 

Quanto à imunização geral, a cobertura vacinal referente a outras doenças, atualmente sofre uma queda tão grande que alcança os patamares da década de 1980, conforme divulgado pela Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde no início deste mês, como um sinal alarmante. 

Material publicado pela Brasil de Fato aponta que a pandemia foi apenas um fator adicional, à várias outras causas para a queda na cobertura vacinal, registrada em dados desde 2015.

"Quais são as causas? Primeira: o sucesso do programa [Nacional de Imunização - PNI]. As pessoas pararam de temer as doenças. A gente não via mais paralisia infantil, sarampo, coqueluche. Quando a gente teve esse surto de sarampo teve que ter um treinamento para o diagnóstico até para os médicos jovens, que não viam mais sarampo", conta a Dra. Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações. 

Esse paradoxo, da solução se tornar parte do problema, é resolvido com informação, é o que comenta a Dra. "Lembrar a população que a única doença realmente erradicada do planeta graças à vacinação foi a varíola. Então há necessidade de manter cobertura para a gente se manter livre dessas doenças", diz Bravo. 

Flávia lembra que a comunicação direta com a população é o caminho a se seguir. "Nós tínhamos o Zé Gotinha que a geração de jovens ou de crianças atual nem sabe quem é, alguns eu já ouvi dizer que tem até medo da figura. E ele era um herói nacional. Tinha a campanha do sujismundo – quem é velho vai se lembrar". 

Entre os fatores que levaram à baixa cobertura vacinal, ela lista: 

  • falta de medo; 
  • piora na comunicação; 
  • crescimento da complexidade do próprio programa e dos calendários; 
  • dificuldade de acesso e disponibilidade; 
  • crescimento da população.    

COVID NESSE CENÁRIO

Antecipar o fim das medidas de distanciamento social impactou no desenrolar do cenário pandêmico, mas também a baixa taxa de pessoas com esquema vacinal completo ainda é o que preocupa. 

Uma vez que 69% da população tomou ao menos uma dose - segundo dados mais recentes do consórcio de veículos de imprensa - a taxa de totalmente vacinados corresponde a 39,1%, enquanto a Organização Mundial da Saúde indica acima de 80% a taxa ideal para controle efetivo do surto. 

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Na noite de ontem (22.set.2021), o Ministério da Saúde voltou a recomendar, em coletiva de imprensa, a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos contra a covid-19 – incluindo jovens sem comorbidade. O feito acontece uma semana após a recomendação da pasta de suspender a imunização nessa faixa etária, exceto em casos de comorbidade

De acordo com secretário-executivo do ministério, Rodrigo Cruz, um comitê formado por representantes da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que a morte de uma jovem de 16 anos em São Bernardo do Campo não está relacionada à vacina. “Os benefícios da vacinação são maiores que os eventuais riscos de eventos adversos”, afirmou.