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EX-PRESIDENTE

Jair Bolsonaro deixou rombo bilionário na Caixa Econômica Federal

Bolsonaro realizou manobras obscuras e sem transparência, levando o banco público ao seu pior momento econômico da história

Pedro Guimarães e Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou um rombo bilionário na Caixa Econômica Federal ao usar o banco público com ferramenta para campanha eleitoral de 2022.  

Em uma série de reportagens, o site 'UOL' contou como Bolsonaro editou duas medidas em março, antes do período oficial das eleições, para conceder créditos a devedores de baixo rendimento que apoiavam o atual Presidente, Lula (PT) e conquistar mais votos neste segmento.

As medidas, inéditas, permitiram distribuir dinheiro principalmente no período eleitoral, mas acabaram por não surtir o efeito esperado. Antes isso era considerado compra de votos, mas Bolsonaro driblou a Lei. 

Notada os crimes, a deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) protocolou nesta 2ª.feira (29.mai.23) junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) uma representação contra Bolsonaro cobrando que o MPE declare de inelegibilidade do ex-mandatário pelos crimes do uso do banco público em benefício eleitoreiro.  

Com a ajuda do ex-presidente do banco, Pedro Guimarães, demitido por acusações de assédio, Bolsonaro criou duas linhas de crédito às vésperas do pleito eleitoral de 2022. Até as eleições, a Caixa liberou R$ 10,6 bilhões para 6,8 milhões de pessoas. O resultado foi um enorme calote nas contas do banco.

Ao usar a instituição financeira para se fortalecer nas eleições, Bolsonaro realizou manobras obscuras e sem transparência, levando o banco público ao seu pior estágio na história. 

No último trimestre de 2022, o índice de liquidez de curto prazo chegou 162 bilhões de reais, 70 bilhões a menos do que ano anterior. Este é o menor nível do índice – um indicador de risco – já registrado pelo banco.

Na representação encaminhada ao MPE, a deputada Luciene Cavalcante relacionou os valores liberados pelo banco com as datas para evidenciar que Bolsonaro, de fato, tentou utilizar Caixa para 'maquiar' compra votos.

"A Caixa concentrou 80% dos créditos do programa. Em média, emprestou R$ 447 milhões por dia útil. O pico foi em 20 de outubro: R$ 731 milhões. Em 30 de outubro, Bolsonaro perdeu as eleições, por uma diferença de dois milhões de votos. Logo depois que as urnas deram a vitória a Lula, a Caixa cortou o consignado sem qualquer aviso público. A intenção eleitoral é nítida", observou a parlamentar. 

A deputada afirmou, ainda, que o uso do banco público com fins eleitorais configura abuso de poder econômico e político. 

"Ante os indícios de abuso de poder econômico e político e a intenção de compra de votos, serve a presente para requerer deste órgão as medidas cabíveis para representação dos fatos ante à justiça eleitoral do Representado, por fim aplicando-o multa e tornando-o inelegível", solicitou Luciene Cavalcante

A parlamentar também acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para que o órgão tome "medidas cabíveis para a responsabilização dos agentes públicos representados".

Em fevereiro, o ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, já havia denunciado o uso da Caixa na tentativa de comprar votos. 

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