MURO DA JUSTIÇA
Valdir Júnior: Justiça o condena a 'inverno político' e expõe perfil corrupto reincidente
O golpe fatal na carreira política do ex-presidente da Assomasul veio com a confirmação do abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024
A trajetória política de Valdir Couto de Souza Júnior, mais conhecido por Valdir Júnior (PSDB), colidiu definitivamente com o muro da Justiça.
Em sentença proferida nesta semana (13.jan.26), o juiz Luciano Pedro Beladelli, da 45ª Zona Eleitoral, decretou a inelegibilidade do ex-prefeito de Nioaque até 2032, além de multa de R$ 50 mil.
Mas a condenação recente é apenas a ponta do iceberg. Um levantamento detalhado dos processos mostra que a gestão Valdir Júnior foi marcada por uma sequência de atropelos à lei, do nepotismo descarado à vergonhosa "furada de fila" na vacinação da Covid-19.
O golpe fatal na carreira política do ex-presidente da Assomasul veio com a confirmação do abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024.
A Justiça comprovou que, nos três meses proibidos que antecederam o pleito, Valdir Júnior realizou 59 contratações temporárias ilegais. O objetivo era claro: inchar a máquina pública para desequilibrar a disputa em favor de seus aliados, Juliano Rodrigo Marcheti e Roney dos Santos Freitas — ambos também condenados e multados em R$ 50 mil cada.
Para além da inelegibilidade, o ex-prefeito acumula um passivo judicial que mancha sua biografia pública com dados irrefutáveis:
- . Escândalo da vacina (Covid-19): Em um dos momentos mais críticos da história recente, Valdir Júnior protagonizou um episódio de escárnio. Em janeiro de 2021, ele e seu então secretário de Saúde, Antônio Raimundo da Silva, "furaram a fila" da vacinação, recebendo doses destinadas exclusivamente a indígenas.
Eles foram flagrados no ato e tiveram que firmar um Acordo de Não Persecução Cível com o MPMS. Valdir foi obrigado a pagar uma multa civil de R$ 22.173,00. A justificativa oficial — de que tomou a vacina para "dar exemplo" — não convenceu ninguém.
- A "clínica de ouro" (R$ 13 milhões): A gestão também está na mira do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO). Em julho de 2025, a Operação Auditus devassou contratos da Secretaria de Saúde.
O foco é a empresa Prontomed Clínica Médica LTDA. As investigações apontam fraudes em licitações que somaram contratos de aproximadamente R$ 13 milhões entre 2019 e 2024. A discrepância entre os valores milionários e a realidade da saúde local é o cerne da investigação.
- "Negócio de família": Em dezembro de 2025, apenas um mês antes de se tornar inelegível, Valdir já havia sido condenado por improbidade administrativa por transformar a prefeitura em cabide de empregos familiares.
A sentença confirmou que ele nomeou sua cunhada para a Coordenação da Merenda Escolar e a esposa de seu Chefe de Gabinete para a Coordenação de Atenção Básica na Saúde. Cargos de confiança usados como moeda de troca afetiva.
Portanto, Valdir Júnior é expulso da vida pública não como uma vítima, mas como um gestor reincidente.
Até 2032, o ex-prefeito terá tempo de sobra para explicar à Justiça — e à população — como uma gestão que movimentou milhões em contratos suspeitos terminou com o gestor barrado das urnas.
