'DESMONTADO FAKES'
Landmark leva Boulos à barracos e expõe realidade da "Capital sem Favelas"
Visita técnica à comunidade Cidade dos Anjos desmonta slogan histórico da gestão Nelsinho e força o Governo Federal a encarar a invisibilidade de 220 ocupações urbanas em Campo Grande
Durante anos, a classe política sul-mato-grossense vendeu ao Brasil a imagem de uma Capital planejada, asséptica e sem miséria habitacional. O slogan "Capital sem Favelas", bandeira histórica do grupo político do ex-prefeito Nelsinho Trad, escondeu sob o tapete do marketing a realidade de milhares de famílias.
Nesta 5ª feira (5.fev.26), essa cortina de fumaça foi rasgada.
Em uma articulação política estratégica, o vereador Landmark Rios (PT) conduziu o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, para dentro dos barracos da favela Cidade dos Anjos, na região do Parque do Lageado, em Campo Grande.
O gesto político foi calculado: colocar a principal liderança nacional dos movimentos de moradia com os pés no barro de uma das áreas mais precárias da cidade.
O objetivo foi confrontar a narrativa oficial com os dados crus levantados pelo mandato do vereador: Campo Grande possui hoje mais de 220 favelas e ocupações irregulares.
No local, Landmark entregou em mãos a Boulos um dossiê técnico, fruto da Audiência Pública das Favelas realizada no ano passado.
O documento é uma cobrança direta para que o Governo Federal intervenha onde a prefeitura falha:
"Nós pedimos uma interlocução interinstitucional com o IBGE. Campo Grande precisa sair da invisibilidade e reconhecer que hoje tem mais de 220 ocupações e favelas. Fizemos uma audiência pública e demos visibilidade ao que acontece aqui. Em 2011, no governo Lula, Campo Grande foi manchete nacional por zerar favelas. Hoje, voltou a ter mais de 220 comunidades em situação precária, com pessoas vivendo em áreas de risco, alagamentos e sem dignidade. Isso exige uma força-tarefa do Governo Federal", afirmou Landmark ao ministro.
A deputada estadual Gleice Jane (PT), que integrou a comitiva ao lado da deputada federal Camila Jara e da vereadora Luiza Ribeiro, reforçou que o apagão de dados é proposital.
"O que a gente está discutindo aqui é que o IBGE sequer tem identificado essas pessoas. Então a gente precisa identificá-las", pontuou a parlamentar.
COMPROMISSO EM BRASÍLIA
Diante da demanda, Boulos assumiu o compromisso de pautar a revisão dos dados habitacionais de Campo Grande diretamente na capital federal.
O ministro propôs a criação de uma mesa técnica imediata.
"Vamos fazer o seguinte: nós vamos marcar uma reunião em Brasília, com a presença do IBGE e dos órgãos que forem necessários. Logo depois do Carnaval, vocês montam uma comissão com parlamentares, representantes das comunidades e dos movimentos, e a gente recebe todo mundo junto com o IBGE para discutir isso", garantiu Boulos.
TERRENOS DA UNIÃO
Além do reconhecimento do problema, a visita serviu para apresentar soluções práticas que independem da boa vontade da gestão municipal.
Lideranças e parlamentares apresentaram duas áreas da União ociosas que poderiam abrigar até 600 unidades habitacionais: uma em frente ao aeroporto (sob tutela da Aviação Civil) e outra na Vila Nasser (patrimônio da SPU).
Boulos sinalizou positivamente, embora tenha adotado a cautela de gestor quanto aos prazos.
"Quando é uma área da SPU, a SPU cuida dos terrenos do governo federal. Se a gente fizer um estudo nessas áreas, levar os projetos, é lógico que não é imediato. Não é de um dia para o outro. Um conjunto habitacional não fica pronto em menos de um ano e meio. Mas nós vamos fazer o que for possível. Foi orientação do presidente Lula. Esse caso é para resolver", afirmou o ministro.
ESPERANÇA NO TERRITÓRIO
Para quem vive a realidade da "cidade invisível", a presença de Brasília no quintal de casa renovou expectativas.
Camila, liderança comunitária da Cidade dos Anjos, resumiu o sentimento de quem foi ignorado pelas últimas gestões municipais.
"É um sonho realizado, é uma esperança de que algo vai acontecer, de que a gente não vai ficar mais esquecido. Em nome da comunidade Cidade dos Anjos, eu quero agradecer ao Landmark, que desde a regularização vem ajudando a gente. O bate-papo com o ministro foi ótimo. Ele deu esperança de novo para o povo aqui", disse a moradora.
Antes da visita à favela, a agenda incluiu a "Feira da Cidadania" no CEU das Artes, onde serviços federais foram ofertados à população. Onde Boulos, como mostramos aqui, tomou tereré e citou que Lula será tetra aos ganhar as eleições de 2026.
